Domingo, 12 de Fevereiro de 2012
A Caixa... de Pandora

A Caixa Geral de Depósitos revelou, na sexta-feira, um prejuízo recorde de quase 500 milhões de euros em 2011, o que deixa mais dúvidas que certezas sobre a forma como o poder político, primeiro, e as sucessivas administrações do banco público, depois, usaram os dinheiros públicos.

À primeira vista, os resultados da Caixa não são diferentes dos apresentados pelos outros grandes bancos portugueses, que também tiveram prejuízos históricos. Mas há uma grande diferença, é que se trata de um banco do Estado e que, supostamente, deveria ser diferente dos outros, deveria ter um posicionamento no mercado que justificasse a sua existência no universo público. E a primeira constatação é que a Caixa é igual aos outros, não se diferencia pelos melhores motivos, assemelha-se pelos piores. 

Como na mitologia grega, José de Matos, o novo presidente-executivo, abriu a caixa dos prejuízos deixados por Faria de Oliveira, anterior presidente--executivo, e todos os males da Caixa escaparam-se. Ou melhor, tornaram-se públicos.

Faria de Oliveira foi instrumental, ou deixou-se ser, por um poder político que utilizou a Caixa para servir-se e não para servir. Os presidentes da Caixa não são os principais responsáveis, terão sido, até, os últimos defensores, até ao limite do possível. Mas o poder político ganhou sempre, ou quase sempre, claro, com a desculpa que era necessário proteger os centros de decisão nacional. E alguns terão sido mesmo isso, mas misturados com muitos (negócios) que nada justificava, a não ser a proteção de grupos falidos e a perpetuação de empresários sem capital a controlar empresas de bandeira. De todos os sectores.

Não deixa de ser curioso que a justificação - mais ruidosa - para os prejuízos de 488 milhões de euros terão sido as imparidades resultantes das participações na PT, BCP e Zon. Não é verdade, e basta analisar as imparidades de crédito - mais de 800 milhões - para perceber que a Caixa andou a financiar quem não devia, e o que não devia. Além disso, fica claro que não cabe ao banco público alinhar em estratégias supostamente nacionais para entrar em empresas como a PT, BCP e Zon. Concentre-se, antes, na actividade bancária, em captar recursos e em emprestar, sobretudo às pequenas e médias empresas. 

Como na mitologia, todos os males escaparam da Caixa, mas ficou um, o da esperança: o candidato a primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anunciou a intenção de privatizar parte do capital do banco público, contra o qual se manifestaram logo os do costume e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho deixou cair essa proposta. Seguramente, a crise também tem virtudes, e uma delas é a de revelar que a CGD, assim, com esta estratégia, ou melhor, táctica, não justifica o estatuto de pública e deveria ser privatizada.

 



publicado por concorrenciaperfeita às 20:10
link do post | comentar | adicionar aos favoritos

mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Maio 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


posts recentes

De 'filha do presidente' ...

Venha cá!

A reforma do Estado da so...

Hollande vai trazer o 25 ...

A história da banca começ...

Quando a mão visível mata...

A crise trouxe as OPA

Casamento de conveniência...

Ainda não chegámos a meio...

A mão visível do Estado

arquivos

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO
subscrever feeds