Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014

Os mercados gritam por nós

 

 

Os investidores e os mercados estão a chamar por Portugal e pelas empresas portuguesas, estão mesmo a gritar a plenos pulmões por uma oportunidade para investirem em dívida pública portuguesa, de baixo risco e de razoável rentabilidade. Pedro Passos Coelho não deve desperdiçar mais um dia, António Mexia e José de Matos não desperdiçaram.

O que não falta, hoje, nos mercados é liquidez, é gente à procura de oportunidades para alocar os fundos que gere. Têm faltado, sim, oportunidades que sejam equilibradas entre risco e rentabilidade, como, aliás, o caso de Portugal é prova disso. Depois da crise política de Julho, os juros subiram de tal forma no mercado secundário que Portugal não tinha condições para fazer uma emissão nova a cinco ou a dez anos, condição necessária para aceder a um programa cautelar. Há algumas semanas, foi possível fazer um 'swap', dos bons. Que permitiu chutar para a frente os pesados encargos de amortização de 2014 e de 2015. Saiu mais caro, sim, mas cada operação é a sua própria circunstância.

Hoje, quarta-feira, dia 8 de Janeiro, as circunstâncias são verdadeiramente excepcionais, e impensáveis ainda há poucas semanas, para Portugal regressar ao caminho pré-crise política. Ontem, a Irlanda foi ao mercado e financiou-se a um preço que nunca teve antes mesmo da intervenção externa, emitiu 3,750 milhões de euros de Obrigações a 10 anos a 3,543%. Sim, há factores externos que explicam este sucesso super-rápido da Irlanda, depois do fim do programa de ajustamento, e sem qualquer programa cautelar, e que também abre indicações mais do que positivas para a República Portuguesa.

Em primeiro lugar, a política de 'quantitative easing' da Reserva Federal dos EUA, depois, o abrandamento económico de alguns dos países emergentes, confluem num mesmo caminho, o da Europa e, sobretudo, dos periféricos do euro. Agora, ao contrário do que sucedia há um ano, ninguém põe em causa o euro, e os investidores acreditam que não se repetirá um 'haircut' como na Grécia. Neste quadro, os países sob intervenção são um bom negócio. E as empresas desses países, as boas, também.

O presidente da EDP, António Mexia, percebeu isso cedo e ontem de manhã pôs a andar uma emissão em dólares, a primeira de uma empresa portuguesa em 2014, de 750 milhões de dólares a sete anos, e teve uma procura superior a 4,5 mil milhões. A Caixa Geral de Depósitos vai hoje. José de Matos tem tido a capacidade de antecipar-se ao Estado, de servir de lebre, com proveito, e o banco público vai emitir hoje 'covered bonds'.

A janela de oportunidade para o Governo está não só aberta, está escancarada, e um compasso de espera só se poderá explicar pela expectativa de novas e boas notícias de agências de rating ainda esta semana. Mas o bom é inimigo do óptimo e convém não arriscar, porque é sempre possível uma qualquer declaração mal medida de um líder europeu ou uma qualquer 'brincadeira' interna.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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