Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

Paciência de chinês

Os chineses da Fosun ganharam mais uma operação de privatização, agora da Caixa Seguros, com um cheque de mil milhões de euros e um projecto estratégico que lhe dá futuro internacional a partir de Lisboa. Ganhou a melhor proposta, por um lado, e Portugal passou a ser, definitivamente, um País de investimento prioritário da China na Europa. É a paciência de chinês.

A venda da Caixa Seguros foi um processo confuso, demorou mais tempo do que o previsto, chegou a ser equacionada a venda em bolsa - talvez para pressionar os potenciais candidatos a uma venda directa - e acabou numa disputa, irónica, entre chineses e norte-americanos. A 'intelligentsia' política e económica talvez preferisse os americanos, com o argumento de que precisaríamos de investidores do outro lado do Atlântico para apoiar o regresso aos mercados, mas os chineses, que entraram devagar e sem grande 'armamento', ganharam no mais importante dos critérios, o preço. Mas não só.

O fundo Apollo cometeu um erro estratégico quando fez uma oferta pela Caixa Seguros que excluía a Caixa Poupança, a 'divisão' do grupo segurador que detém dívida pública portuguesa, comprada no período pré-crise e resgate. Os norte-americanos não queriam a dívida da República, apesar das profissões de fé do secretário de Estado do Tesouro, há dois dias em pleno Ministério das Finanças, sobre o regresso de Portugal aos mercados.

Apesar das dúvidas, que se suscitam em relação aos asiáticos como em relação ao investimento angolano, os chineses, esses, já demonstraram acreditar no País. Não só pelo que pagaram, mas pelas linhas de financiamento que abriram para as empresas portuguesas nos últimos dois anos. O peso dos investidores chineses nas privatizações em Portugal desde a intervenção externa é inquestionável, já são responsáveis por metade da receita, isto é, por cerca de quatro mil milhões de euros, a medida de uma convicção e uma necessidade do País.

'Put your money where your mouth is'. Os chineses fizeram-no.  Quem não gosta de investimento chinês - porque há dinheiro melhor e dinheiro pior - tem outro caminho, mas tem de o levar até às últimas consequências. Estariam, os críticos, dispostos a perder dinheiro pelo politicamente correcto?

 

PS: Miguel Poiares Maduro 'inventou' um novo modelo de governação para a RTP que ninguém quer, que Alberto da Ponte rejeita e que a entidade reguladora da Comunicação Social questiona no seu principal objectivo, a independência da empresa pública de rádio e televisão face ao poder político. O ministro comete um erro de palmatória, e cria um problema que não existia: uma empresa pública tem uma administração e uma tutela política, que têm de ser responsabilizadas, uma empresa privada responde aos seus accionistas. Poiares Maduro quer uma coisa no meio, que acaba por ser criar a maior das ambiguidades. Até a BBC já se arrependeu.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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