Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014

A vida dos ex-ministros

 

 

José Luís Arnaut vai para o 'board' não executivo da Goldman Sachs, Álvaro Santos Pereira vai para a OCDE e Vítor Gaspar está a caminho do FMI. São três colocações internacionais de três ex-ministros, que beneficiam em primeiro lugar os próprios e, indirectamente, o País, e prestam-se àquela mania muito portuguesa de transformar tudo num lodo de interesses que só se explicam porque não se explicam. Expliquemo-nos, então.

Faça-se justiça, Álvaro Santos Pereira saiu do Governo como entrou, discreto, e entrou na OCDE como no Governo de Portugal, pela internet. Foi nos blogues que o 'estrangeirado' Santos Pereira foi descoberto por Pedro Passos Coelho e foi por causa das suas intervenções na rede que chegou a movimentos como o Mais Sociedade, uma espécie de 'Estados Gerais passista'. Demorou muito tempo a perceber onde estava e o que esperavam dele, não beneficiou da simpatia do CDS-PP - que tinha outros candidatos - e cedo se percebeu que estava a prazo. Santos Pereira terá sido, injustamente, o último a saber e, por isso, não aceitou nenhum dos cargos com que lhe acenaram, talvez para evitar a contundência de um livro da história económica recente do País. Candidatou-se à OCDE sem ajudas, e a sua competência chegou.

Vítor Gaspar tem um percurso diferente. Já era conhecido nos meios académicos e na burocracia de Bruxelas e, sobretudo, de Frankfurt, e foi esse passaporte que o levou até ao Ministério das Finanças. Economista reconhecido pelos pares, e detestado pelos portugueses, sonhou ser político, mas acabou por regressar ao seu universo natural, o Banco de Portugal, de onde tinha saído. E é a partir dele que se candidata a um lugar no FMI, no departamento fiscal. Tem as competências técnicas, tem os contactos pessoais, mas vai beneficiar também do apoio político de Lisboa e, sobretudo, de Berlim, ainda mais do que teve quando era ministro de Portugal. Deverá chegar para se mudar para Washington.

José Luís Arnaut chega ao centro do mundo e, pelo seu perfil, estaria sempre destinado a ser alvo fácil de 'opinion makers' que trabalham para o 'like' no facebook e para as partilhas no twitter. Arnaut, advogado no activo, político 'aposentado', entra no restrito núcleo de 'advisors' da Goldman Sachs, o maior banco de investimento do mundo, onde estão apenas 17 pessoas, dos quais o presidente é um antigo presidente do Banco Mundial. Vai substituir Mário Monti, o mesmo que chegou a ser visto, na Europa, como um santo. Ironias. O 'advisory board' da Goldman, como noutros bancos, é de reflexão, de competência e também de influência. Mas não é seguramente por causa das relações políticas em Portugal que a Goldman o escolhe, mesmo tendo em conta a sua participação nas privatizações em Portugal. Terá tido apoios políticos, provavelmente do seu amigo Durão Barroso, e a ajuda de quem, na Goldman, com ele trabalhou enquanto advogado. Arnaut vale, para a Goldman, mais do que vale para Portugal? Quem é que está mal?

 

PS: Vítor Gaspar dizia em conselho de ministros que "mais vale estar aproximadamente certo" do que "precisamente errado". Identificados os universos de pensionistas e funcionários públicos abrangidos pelo Plano B de alargamento da CES e de agravamento e descontos para a ADSE, ao menos isso, fica a desconfortável sensação de que os números que foram divulgados não batem certo. Estão errados ou não nos estão a dizer tudo?

 

publicado por concorrenciaperfeita às 08:20
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