Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Governo precisa de discurso único

As grandes obras públicas ameaçam tornar-se, mais uma vez, uma dor de cabeça para o primeiro-ministro, José Sócrates, e desta vez, muito por responsabilidade própria e da equipa de ministros que lidera.

O discurso em torno das grandes obras e grandes investimentos, como o novo aeroporto, o comboio de alta velocidade e as auto-estradas e vias rápidas é hoje difícil de passar, por razões de ordem interna e externa. O tema foi um dos que evidenciou de forma mais gritante as diferenças entre o PS e o PSD de Manuela Ferreira Leite, que nunca escondeu a sua convicção de que o país não tinha dinheiro para todos os projectos. Ferreira Leite chegou mesmo a exigir a suspensão do traçado do TGV. José Sócrates, esse, fez das grandes obras uma grande bandeira. Só que, entretanto, as condições políticas mudaram, o PS ganhou por maioria relativa e, nas últimas semanas, ficou clara a grave situação de desequilíbrio das contas públicas portuguesas, leia-se um défice de 9,3% e uma dívida pública de mais de 76% em 2009. Factos que se vieram a somar ao caso grego e às avaliações muito negativas das agências de ‘rating', que penalizaram fortemente o Estado, a banca e as empresas portuguesas nos mercados internacionais.

Face a isto, e à necessidade de dar já em 2010 os sinais necessários de que o Governo vai baixar o défice público e promover o crescimento económico, as obras públicas vieram novamente à tona. Ora, nos últimos dias, os sinais e as palavras do Governo não são completamente coincidentes.

Quem ouve o primeiro-ministro, como foi possível ouvi-lo ainda ontem na conferência do Diário Económico, não tem dúvidas de que as grandes obras, particularmente o TGV e o novo aeroporto, são mesmo para avançar nesta legislatura. Mas quem tenta ler e decifrar as palavras de Teixeira dos Santos e ouve as declarações de António Mendonça fica, no mínimo, com dúvidas. O ministro das Finanças quase parece um ministro-sombra do PS, sempre cuidadoso e remetendo explicações sobre datas de obras para o seu colega de Governo com essa pasta...

O Governo não pode ter dois discursos. Quem manda no Governo é o primeiro-ministro e, portanto, se José Sócrates entende que o país precisa dessas obras - eu não tenho dúvidas no novo aeroporto, na linha Lisboa/Porto e considero necessário reavaliar calendário de execução da linha Lisboa/Madrid - o Governo e todos os ministros devem ser absolutamente claros e transparentes na mensagem que passam. Sob pena de confundirem os portugueses e, ainda mais, as agências de ‘rating' internacionais.

publicado por concorrenciaperfeita às 18:06
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