Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Os portugueses acreditam em Cavaco Silva?

O lema de campanha da recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República - “Acredito nos portugueses” - não poderia ser mais apropriado à situação política criada, nas últimas semanas, em torno do caso BPN. Os portugueses acreditam em Cavaco?

Os opositores de Cavaco Silva e, particularmente, Manuel Alegre, já aqui o escrevi, perceberam ainda em pré-campanha eleitoral que não tinham argumentos políticos para disputar as eleições do próximo dia 23 de Janeiro e decidiram, por isso, partir para os ataque de carácter e para uma nova versão de campanha negra. O móbil é uma operação de compra e venda de acções da SLN, antiga dona do BPN, com uma mais-valia de 140%, quando Cavaco era professor universitário. A operação tem todos os ingredientes para ser explorada: ex-colegas de Cavaco no Governo, como Oliveira e Costa e Dias Loureiro, ‘inventaram’ um banco que, depois, acabou numa nacionalização por causa de um caso de polícia, aliás em investigação.

Cavaco está preocupado com os efeitos desta campanha, e das perguntas incómodas de Manuel Alegre, ao jeito de ‘acusa e foge’ e que têm obviamente implícitas acusações graves. E, por isso, recuperou ontem o desaparecido Alexandre Relvas para uma conferência de imprensa que prejudicou mais do que ajudou. Porquê? Cavaco, político como é, sabe ou deveria saber que o assunto não vai morrer, vai (do)minar a campanha até ao dia 23 à noite. Não se falará de mais nada, da crise, do euro, da revisão constitucional, da queda do Governo e da estabilidade política, até da presença de forças militares no estrangeiro. Falar-se-á do buraco do BPN suportado pelos contribuintes, de um banco dos ‘amigos’ do candidato-Presidente, das mais-valias que continuam por explicar.

A política – como a vida – nem sempre é justa, muitas vezes é muito injusta. E o caso BPN tem a ironia de estar a ser alimentado por um partido que se esforçou por defender José Sócrates de uma campanha que classificava de ‘negra’ por causa do caso Freeport.

A suspeita instalou-se, mesmo entre os que votam politicamente e acreditam pessoalmente em Cavaco Silva, e, por isso, não valerá a pena gritar aos sete ventos que leiam o comunicado que fez há dois anos sobre este tema, disponível no site de Belém. Nesse comunicado, não estão as respostas às insinuações que estão a ser feitas. E essas só poderão ser esclarecidas se Cavaco mostrar identificar a quem comprou e a quem vendeu as acções.

Só há uma maneira de parar estes ataques, sobretudo porque está em causa um banco nacionalizado, e porque Cavaco decidiu atacar a actual administração e não comentou a gestão danosa de Oliveira e Costa: revelar o contrato e ‘matar’ as acusações e os ataques de carácter. A alternativa, para Cavaco, é continuar a acreditar que os portugueses continuam a acreditar em si.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:18
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2 comentários:
De Joaquim Gil a 7 de Janeiro de 2011 às 21:37
Houve quem lhe chamasse um plebiscito, alguns disseram que seria um passeio que Cavaco Silva faria até ao dia da votação, sem dúvida que tudo se alterou, Cavaco Silva pode ganhar as eleições, mas anda nervoso, por incrível que pareça, até o caso que é levantado agora a Manuel Alegre, lhe pode ser desfavorável, pode despoletar na opinião pública a ideia de "zangam-se as comadres descobrem-se as verdades" e comerem os dois pela mesma medida.


De Pedro Almeida a 8 de Janeiro de 2011 às 01:07
Os portugueses não sei, mas eu não acredito.


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