Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

A crise política está aí, ao virar da esquina

A campanha eleitoral para as presidenciais de 23 de Janeiro transformou-se, definitivamente, num confronto entre Cavaco Silva, o 'Presidente-eleito', e o Governo de José Sócrates, numa espécie de ante-câmara do que será a crise política de 2011. Evidente e obrigatória, com ou sem o FMI.

Portugal está a conhecer um Cavaco Silva que não conhecia ou, pelo menos, que estava 'escondido' desde que abandonou as suas funções de primeiro-ministro, nos idos anos de 95. Mesmo na primeira eleição presidencial, logo após a eleição com maioria absoluta de Sócrates, não se viu um candidato a Presidente tão activo e, mesmo, ameaçador para o Governo. Mesmo quando foi a fonte das escutas a Belém. Menos institucional, mais político, sem medo das palavras, Cavaco Silva mudou de tom nos últimos dois dias e nada faz prever uma mudança na última semana de campanha.

Cavaco tremeu com o caso BPN. Percebeu-se, também, que a máquina e a equipa que o acompanham não o prepararam, ou ele próprio, Cavaco, não se preparou para responder ao que nunca julgaria possível, isto é, a ataques à sua honra e carácter. Um caso que, obviamente, foi alimentado pelo PS - e pelo Governo - para a lebre, leia-se o Bloco de Esquerda, puxar. Cavaco sabe-o e não perdoa. Como não perdoa as intervenções públicas de ministros políticos, como Alberto Martins, sobre o caso BPN. Cavaco acreditou que os portugueses acreditam em si, mas percebeu que não poderia ficar calado e passou ao ataque. Além disso, beneficia da ausência de Manuel Alegre, um não-candidato.

Depois de semanas a afirmar que o Parlamento e os deputados tinham a solução e os instrumentos para desencadear eleições antecipadas, num registo que é o seu, admitiu uma crise política e afirma, claro, que não abdicará de todos os seus poderes presidenciais.

Nesta guerra, tem mais a ganhar do que o Governo. Sócrates é um osso duro de roer e está longe de ter baixado as armas. Estará, agora, a tentar criar na opinião pública a ideia de que Cavaco será uma fonte de instabilidade política, mas a sua força está ligada à crise económica e essa vai ser severa e grave. 

Cavaco, por seu turno, vai capitalizar descontentamentos e, provavelmente, sairá desta eleição com uma votação reforçada. Cavaco Silva não vai ser, nunca, no segundo mandato o que foi Mário Soares. Aliás, como já se percebeu, não tem jeito nem habilidade para as acções de guerrilha. Mas vai ser mais do que activo, vai ser interventivo e, por isso, há um beneficiado directo, saiba gerir com pinças essa vantagem competitiva: Pedro Passos Coelho.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:21
link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De Joaquim Gil a 17 de Janeiro de 2011 às 21:34
É um dado que, forçosamente, temos que dar como adquirido que Cavaco Silva vai ser reeleito, mas a nossa honestidade intelectual não nos coíbe de afirmar que não merece, por um lado, teve uma postura piegas, quando entendeu que a governação não ia no bom caminho, limitando-se a fazer avisos, sem se impôr, como era seu dever, por outro lado, quando interviu, foi uma tristeza, promulgando leis e depois declarar em público a sua discordância, com um único pensamento, a reeleição, o caso das escutas na presidência e o modo como foi solucionado, nem é bom falar! Enfim, é o país que temos.


Comentar post

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds