Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011

Oi? Fala Zeinal Bava

A Portugal Telecom assinou ontem, de madrugada, o acordo com os accionistas da Oi que lhe permitirá controlar cerca de 25% do capital da empresa brasileira e ter influência directa na gestão. A assinatura formal, pré-anunciada, não deixa de ser muito relevante para a PT e para o seu presidente executivo, Zeinal Bava. Será, mesmo, um teste à sua capacidade e liderança.

A operação-Oi é, desde logo, muito mais complexa e difícil do que foi a gestão partilhada da Vivo com os espanhóis da PT. Ao contrário da Vivo, a Oi é hoje um gigante, mas pesado e pouco eficiente. Porque é o líder do mercado de telecomunicações no Brasil, mas é, ao mesmo tempo, o quarto operador no segmento com maior potencial de crescimento, o móvel e a banda larga, e perde todos os dias clientes na rede fixa. E sabe-se como foi difícil o ‘turn-around’ operacional da Vivo, que quase custou a vida da própria PT, dada a dimensão do mercado brasileiro. O potencial, e as sinergias com a PT são enormes, até maiores do que as que existiam com a Vivo, que é ‘apenas’ um operador móvel, mas os riscos são igualmente relevantes, até porque a Oi está longe de ser uma operação vencedora. E a recuperação do investimento da PT_vai demorar anos.

Em segundo lugar, a PT entra numa empresa controlada por brasileiros, ainda por cima com objectivos e expectativas diferentes: os accionistas privados Andrade Gutierrez e La Fonte são de longo prazo, os fundos querem rentabilizar o seu investimento no curto prazo e o BNDES é o banco público que corporiza a visão política do Governo brasileiro e da ‘Presidenta Dilma’ para o sector das telecomunicações. São três visões, às quais se junta a de um estrangeiro – português, mas estrangeiro – que se assume como parceiro, mas que é, na verdade, mais um ‘controlador de capital’ numa estrutura accionista densa. E, claro, não é mesma coisa ter um negócio no Brasil com espanhóis ou um negócio com sócios locais, e muito ricos.

Bava vai ter, a seu favor, a rede de contactos de investidores que o transformará, de alguma maneira, no rosto da Oi nos mercados internacionais. Porquê? Porque os fundos e os investidores que apostam no sector das telecomunicações são mais ou menos os mesmos, aqui em Portugal, ou no Brasil. A diferença está no tamanho. O ‘network’ de Bava, a sua competência e história são vantagens nada despiciendas, mas há, pelo menos, um risco: pela dimensão e risco do negócio brasileiro, Bava tenderá a afastar-se da gestão da PT no mercado doméstico para se concentrar na operação Oi. Com que custos? Além disso, a PT será um parceiro industrial desejado, mas, acima de tudo, necessário. A experiência na rentabilização da rede fixa em Portugal – quanto mais não fosse – confere a Bava e à sua equipa um ‘know-how’ que a Oi, manifestamente, não tem.

De resto, a conclusão do negócio com a Oi é um passaporte para a continuidade de Zeinal Bava na liderança executiva da empresa por mais um mandato. O actual termina no final deste ano. Nos próximos meses, a PT e os accionistas brasileiros vão acertar e pôr em prática as regras de governação da Oi e a sua gestão partilhada, por isso, será difícil, e provavelmente arriscado, mudar uma administração que está a entrar em plena velocidade de cruzeiro num negócio estratégico para o futuro da PT. É bom recordá-lo, o Brasil vai valer nos próximos anos mais de 60% da facturação e dos resultados da empresa portuguesa.

E Henrique Granadeiro, o sempre activo e presente ‘chairman’ da empresa? Neste contexto, interno e externo, a sua função e o seu papel serão ainda mais relevantes, à medida da sua magistratura activa e das suas ambições pessoais. E a sua continuidade, também, um facto incontornável.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:40
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