Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

E, agora, Pedro?

Portugal entrou em pré-campanha eleitoral, quando mais precisava de estabilidade política. No mesmo dia em que os investidores exigiam um juro historicamente elevado, de 7,6%, para emprestar dinheiro ao País, o irresponsavelmente inteligente Francisco Louçã anuncia uma moção de censura ao Governo com um mês de antecedência. Pôs o país em suspenso!

A irresponsabilidade está feita, por razões tácticas de concorrência com o PCP no mercado das moções de censura, no pior momento e quando ainda não se percebeu se vamos ou não ter de recorrer a ajuda externa para cumprir os nossos compromissos. Louçã decidiu dar as mãos e os braços aos investidores que não confiam na capacidade de Portugal e exigem um juro insuportável a Portugal. Agiotas, acusa Louçã, o seu novo aliado, que voltou a ter os seus cinco minutos de fama, encostou o PCP e anulou o CDS. Ganhou Louçã e perdeu o país, que vai pagar caro, ainda mais caro, esta irresponsabilidade, com mais e mais juros, até ao inevitável FMI, venha ele vestido de que forma vier.

Mas isso, verdadeiramente, já não interessa. A moção de Louçã marca a agenda política de forma indelével e condiciona o futuro político, económico e social. O dia 10 de Fevereiro será, provavelmente, mais importante do que pode supor, e a história disso rezará. Porque esta moção é o ‘princípio do fim’. Como se pôde constatar ainda ontem, os mercados não se comovem com aumentos da receita fiscal de 15% em Janeiro suportados por um confisco fiscal aprovado no Orçamento do Estado de 2011, exigem, antes, os cortes na despesa pública prometidos e ainda por verificar.

O caos, teme-se, está ao virar da esquina, e por isso, sobra a pergunta: E agora, Pedro? Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, afirmou, há uma semana, numa grande entrevista a Maria João Avillez, no canal Etv, que não andaria com o Governo ao colo, como tem andado, com medo de queimar os dedos. E agora, Pedro? Vai queimar os dedos?

É mesmo disso que se trata. Falta um mês, um longo mês, para Louçã levar ao Parlamento a moção de censura e o voto do PSD fará cair o Governo ou mantê-lo-á em funções. O espaço e o tempo são estreitos. E favoráveis para Sócrates. Não para o País.

Do ponto de vista do PSD, é óbvio, a moção de censura deveria surgir em Maio, mas anunciada um dia antes da sua apresentação. Porquê? Presumivelmente, nessa altura, já teríamos escapado ao pior, o FMI, por decisão da senhora Merkel e porque a execução orçamental estaria, no mínimo, dentro do previsto. A situação económica não vai melhorar, vai mesmo piorar antes de melhorar, o desemprego vai continuar alto, por isso, o caldo de crise seria uma oportunidade única para Passos Coelho.

E, agora, Pedro? Um mês é muito tempo, muito pode acontecer, os investidores, as agências de rating, a Comissão Europeia, a senhora Merkel ainda vão falar. Sócrates vai fazer-se de vítima e os seus adversários internos, no PSD, vão estar à espreita.

Ainda assim, e apesar dos custos associados a um longo e penoso processo eleitoral, que ‘acaba’ com a possibilidade de Portugal cumprir os seus compromissos em 2011, Pedro Passos Coelho tem de se assumir. E tem de assumir a sua condição de líder do maior partido da Oposição.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:08
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