Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

Sócrates é convicente ?

Jean-Claude Trichet, o todo-poderoso presidente do Banco Central Europeu (BCE), exige que Portugal (leia-se José Sócrates e Teixeira dos Santos) seja rigoroso na execução do plano de austeridade. Mas, disse mais, disse que Portugal tem de ser convincente. Dito por outras palavras, Trichet está a afirmar, preto no branco, que os mercados, os investidores e até os especuladores não estão convencidos da vontade do Governo em reequilibrar as contas públicas e mudar o modelo de desenvolvimento do País ou, no mínimo, de pôr em prática essa vontade. É, portanto, esta a principal resposta que se exige ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças.

Depois de uma semana desastrosa para Sócrates, com uma má notícia a seguir à outra, para si e para o País, aliás, o primeiro-ministro fez uma fuga selectiva de informação, para o Expresso, sobre os números da execução orçamental de Janeiro. O objectivo foi óbvio: nos últimos dois dias, os mais importantes países do mundo - o G20 - reuniram em Paris e, nesse fórum, Portugal foi, como seria de esperar, um tema central. Sócrates precisava de travar a sucessão de más notícias, acompanhadas de um aumento consistente dos juros cobrados ao País pelos nossos credores, e enviar uma mensagem para Paris, para Trichet, para a senhora Merkel e para o presidente do FMI, Strauss-Khan. Porque a saída desta crise não depende apenas de nós, dos portugueses e do Governo. Afinal, o intervalo entre os 7% e os 8% já parece uma coisa normal, mas não é, é mesmo insuportável por muito mais tempo, como recordava Teixeira dos Santos que, em tempos, afiançava que não saberia o que fazer se passássemos o tecto dos 7%. Afinal, sabe, e ainda bem.

Não sou dos que desvaloriza os números positivos e valoriza os negativos. Os resultados preliminares da execução orçamental são muito importantes e mostram que as medidas de austeridade estão a ser cumpridas. Claro, mais não fosse, depois do corte de salários na Função Pública e dos aumentos de impostos, sem comparação com o mesmo mês do ano passado. Mesmo assim, salvaguardada a necessidade de perceber, com pormenor, os números, especialmente a despesa corrente primária e, nomeadamente as transferências para subsectores como a Saúde, a Educação e as forças de Segurança, antes melhor do que pior. E, nos próximos três meses, esta análise vai ser corrente, mês a mês. Com todos os olhares atentos.

Neste momento, Sócrates precisa urgentemente de ser convincente, sobretudo para consumo externo. E não é, como se percebe todos os dias. A responsabilidade não é apenas sua. Declarações como as de Alexandre Soares dos Santos - despropositadas na forma - não ajudam, prejudicam. Exige-se dos empresários a verdade, mais ainda de empresários com este peso político e social no Pais. Mas com outro registo. Soares dos Santos ganhou o respeito público pelo que fez, pelo que construiu, mas isso só aumenta a sua responsabilidade. Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, que sirva de exemplo. A verdade está lá, sem compromissos, mas a favor do País.

publicado por concorrenciaperfeita às 17:11
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