Terça-feira, 5 de Abril de 2011

O mundo mudou

Ricardo Salgado, Carlos Santos Ferreira e Fernando Ulrich juravam, ainda há poucas semanas, que o Governo deveria fazer tudo o que pudesse para evitar um pedido de ajuda externa e alertavam para os riscos dessa decisão. Esta semana, o mundo mudou.

O falhanço na execução dos sucessivos PEC, a crise política, a subida vertiginosa dos juros e a descida da notação financeira da República e dos bancos por parte das agências de ranting apressou o que já parecia ser uma inevitabilidade. Já aqui o escrevi, seria desejável evitar o recurso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e ao FMI. Por várias razões, desde logo de reputação. Mas isso hoje já não é o que está em causa.

Os três banqueiros – e Nuno Amado deverá hoje seguir a mesma linha – sabem, melhor do que ninguém, a real situação financeira do País. Eram os últimos dos moicanos no apoio à estratégia de Sócrates. Deixaram de o ser. Fica a pergunta: qual é a vantagem de prolongar esta agonia e não pedir ajuda, seja ela qual for? Nenhuma, pelo contrário.

A cada dia, corremos vários riscos. Por um lado, Portugal perde, a cada momento, poder negocial, o pouco que tem, para conduzir um processo nas melhores condições com as autoridades europeias. E, quando se entra para uma negociação, convém que exista alguma margem de manobra. Depois, Portugal corre o risco de falhar alguma colocação de dívida pública no mercado ou de amortização de dívidas passadas. Por outro, a banca não poderá continuar a comprar dívida pública portuguesa, porque os testes de resistência estão aí, sob pena de ‘ir ao charco’ com a República. E isso seria trágico, como se vê, por exemplo, na Irlanda.

Há, claro, um problema político. Estamos em campanha eleitoral, e José Sócrates continua a falar de outro País, um País diferente do que descrevem os mais importantes banqueiros nacionais. A realidade, desconfio,vai encarregar-se de resolver este problema.

O Governo e José Sócrates têm de pedir ajuda, mas estão, obviamente, fragilizados do ponto de vista político. Por isso, o PSD e o CDS/PP têm também de suportar esse pedido, porque qualquer empréstimo, seja ele ‘ponte’, ‘intercalar’ ou outro nome qualquer, exigirá compromissos, e exigirá no imediato, antes das eleições, garantias e medidas de austeridade. Agora, é o momento de se entenderem, e deixaram a luta política, as propostas eleitorais, para a campanha.

O custo - financeiro - de não se entenderem será directamente proporcional ao tempo que demorar um pedido de ajuda e inversamente proporcional à credibilidade que, todos os dias, se vai perdendo. Os portugueses não merecem isso.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:54
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds