Terça-feira, 26 de Abril de 2011

O FMI é uma oportunidade

Vêm aí tempos difíceis para os portugueses, particularmente para os que dependem directamente do Estado. Dos funcionários públicos aos beneficiários de prestações sociais, dos desempregados aos empregados políticos, são mais de três milhões os que serão directamente afectados, no curto e médio prazos, pelo PEC V, mais um plano de austeridade para cortar na despesa pública. Mesmo assim, o FMI é uma oportunidade única, como foi a intervenção em 1983.

Portugal precisa de rupturas e, claramente, não está nem quer estar preparado para elas. O fim-de-semana prolongado, com direito a tolerância de ponto na Função Pública, que termina hoje - e o ambiente descontraído que se vê e ouve nas ruas - mostra isso mesmo. Aparentemente, ainda não percebemos o que nos vai cair na cabeça. Se o caso não fosse grave, até daria vontade de rir...

Por isso, chegados aqui, não vale a pena diabolizar o FMI, vale, sim, a pena aproveitar o melhor do seu poder, influência e dinheiro.

A intervenção do FMI vai pôr ordem na casa, nesta casa desgovernada que é Portugal. É óbvio que o Estado não poderá continuar a pagar os subsídios de desemprego que paga, não poderá continuar a pagar as pensões que paga, não poderá continuar a sustentar as empresas insustentáveis que sustenta, não poderá continuar a pagar as centenas de milhares de salários de funcionários públicos que paga. Porque tudo isto é feito com o recurso aos nossos impostos, e eles, e os respectivos sacrifícios, já não chegam para tudo. E quem nos emprestava dinheiro para disfarçar as contas no final do mês fechou a 'torneira'.

Pior, pelos vistos, o buraco orçamental aumenta a cada semana que passa. Temos, todos, essa terrível sensação de que ainda há muito por contar e que a 'troika' - o FMI, o BCE e Bruxelas - vai acabar por descobrir outros casos e outros esqueletos no armário. E ninguém nos garante que assim não vai suceder. O PSD exigiu saber tudo sobre as contas do Estado, numa longa lista de 37 perguntas dirigidas ao ministro sem pasta, Teixeira dos Santos. Fez bem, a avaliar pelas mais recentes notícias sobre as parcerias público-privadas. Como o Diário Económico avança na edição de hoje, as medidas previstas para garantir a redução do défice em 2011 são insuficientes e serão necessárias novos cortes.

O Governo que sair das próximas eleições vai precisar do apoio do FMI - ou da sua pressão externa, dependendo do ponto de vista -, e precisará também de um apoio parlamentar maioritário. Como, aliás, defendeu o Presidente da República, Cavaco Silva, ontem, nas comemorações do 25 de Abril. Mas essa maioria, política e sociológica, não é nem deverá ser sinónimo de 'união nacional'. Porque essa 'união nacional' poderá ser o maior adversário das rupturas que o País precisa.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:10
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