Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

A banca e o futuro

Portugal vai conhecer amanhã o programa de Governo para os próximos cinco anos, ditado pelo FMI e que constitui, verdadeiramente, uma oportunidade única para o partido que ganhar as eleições legislativas de 5 de Junho. Vem aí a austeridade, no Estado e em tudo que depende do Estado. Vai sobrar, para sairmos da crise, a capacidade de a banca continuar a financiar o sector privado e o investimento.

Sejamos claros: um plano de austeridade, ainda mais quando se trata de resolver um problema de emergência financeira, só pode acentuar as dificuldades de uma economia. Sobretudo de um País onde seis milhões de pessoas dependem directa e indirectamente do Estado e dos seus bolsos, hoje 'rotos'. Às vezes, o tratamento tem, no curto prazo, um efeito negativo, por isso, é preciso encontrar uma alternativa, que compense esta recessão. Essa alternativa - a única - chama-se sistema financeiro.

Ao contrário do que sucedeu na Irlanda, a banca portuguesa comportou-se muito bem na crise. Não foi por ela que Portugal teve de pedir ajuda externa, aliás, foi por ela que 'isto' se aguentou tanto tempo. Até ao momento em que os banqueiros disseram que não tinham mais condições para financiar o Estado. Mesmo assim, é óbvio, a credibilidade da banca portuguesa junto do exterior - e dos que nos financiaram durante décadas - apanhou por tabela o que sucedeu ao Estado. Os sucessivos cortes de 'rating' do Estado e, logo, das empresas privadas e dos bancos, puseram em causa, definitivamente, a capacidade de financiamento do sistema.

Com a ajuda externa ao Estado português, é absolutamente crítico que a banca funcione e volte a financiar a economia privada, não a compra de casa, mas o investimento das empresas e especialmente das que exportam e das que concorrem, no mercado interno, com as importações. E, não, não é uma ajuda ao capital especulativo, como previsivelmente será apelidado. Será uma ajuda ao País.

O problema principal da banca portuguesa é liquidez, é o acesso a fundos que permitam conceder crédito, e pôr a economia a funcionar. Não é de capital, ou da falta dele. Dito isto, as exigências de capital - o famoso 'core tier 1' - vão ser agravadas, para um nível superior, por exemplo, ao que sucede nos bancos espanhóis, cheios de crédito imobiliário mal-parado e bem-disfarçado. Esta nova exigência, da 'troika', vai ter de ter uma resposta positiva da banca e dos seus accionistas. Seja através da venda de activos, seja da redução do crédito concedido, seja da entrada de dinheiro fresco dos accionistas, este pouco ou nada provável.

É, por isso, fundamental, que a 'troika', e o Governo e o Banco de Portugal, tenham em conta a necessidade de a banca manter o crédito à economia. As alternativas têm de ser encontradas, nomeadamente através de mecanismos que aliviem a situação de liquidez dos bancos. Porque, caso contrário, a economia portuguesa vai morrer com o tratamento.

publicado por concorrenciaperfeita às 08:00
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