Quinta-feira, 4 de Março de 2010

O PSD e as ideias

“O PSD precisa de ideias e de um programa”. A afirmação é de Vasco Pulido Valente, ontem, em entrevista ao Diário Económico.

Foi esse o desafio colocado aos três candidatos à liderança do PSD, na conferência promovida ontem em Lisboa sobre ‘O futuro de Portugal'. A resposta de Pedro Passos Coelho, José Pedro Aguiar-Branco e Paulo Rangel foi, reconheça-se, positiva. Os três candidatos apresentaram mais ideias para o país do que propriamente um programa, mas acrescentaram novas reflexões, e diferenças claras em relação à política seguida pelo actual Governo. Vamos por partes: A conferência de ontem promovida pelo Diário Económico revelou três candidatos com um perfil claramente diferente e, mais do que isso, em posições de partida diferentes nesta corrida à liderança do PSD... e do país.

Pedro Passos Coelho é hoje, medido ‘apenas' pelo desempenho público em entrevistas e conferências, o candidato mais próximo da vitória. Trabalha há mais de dois anos para esta batalha interna, tem um discurso focado, o mais liberal dos três em matéria económica (veja-se o caso das privatizações), consistente e, também por estas razões, é o que menos arrisca. O que menos arrisca nas medidas e nas ideias, porque está à frente nas sondagens e pode jogar agora para o empate.

José-Pedro Aguiar Branco é um homem com perfil de Estado, tem uma forma de estar e de gerir a política adequada à função que se espera de um primeiro-ministro. E exemplo disso foi, também, a forma como geriu, nos últimos meses, um grupo parlamentar saído de uma derrota eleitoral. Quer ‘unir' o partido e ser um candidato consensual, mas, tendo em conta o que se viu até agora, é o que está em situação mais difícil. E, das propostas que apresenta, ressalta claramente a ideia de que seria um grande... ministro da Justiça.

Paulo Rangel, uma espécie de ‘outsider' desejado pela actual direcção do partido, é provavelmente o principal adversário de Pedro Passos Coelho. Por feitio (ou defeito), empolga-se e empolga quem o ouve e tenta apresentar, mais do que outros, um programa de Governo. Arrisca, com medidas polémicas, e mobiliza. O que poderia ser uma vantagem, isto é, falar de saúde, de educação, de economia e finanças, até de agricultura, revelou-se já uma desvantagem. A ideia de um Ministério do Planeamento, e mais governantes, num momento em que defende menos Estado, é uma contradição nos termos.

No final da manhã de uma conferência única, que juntou os três candidatos pela primeira vez nesta campanha partidária, ficaram pelo menos duas conclusões: em primeiro lugar, o PSD estará melhor com um novo líder, mais bem preparado para ser uma alternativa ao actual Governo, qualquer que venha a ser a escolha dos militantes social-democratas. E o país não vai cair, obviamente, no vazio de poder; Em segundo lugar, nenhum dos três candidatos está ainda à altura, política, de convencer o Presidente da República e os portugueses a mandarem Sócrates para casa. Ainda têm muito trabalho pela frente para serem uma verdadeira alternativa política. Hoje, não são.

Bem sei que o lugar faz o líder e já assistimos a vitórias surpreendentes, mas o que está aqui em causa é a possibilidade de o PSD ser chamado a eleições no curto prazo. Face ao que se sabe hoje, mesmo com o desgaste político inerente a cinco anos de governo, à maior crise económica e financeira da história democrática do país e aos casos que tocam directamente no primeiro-ministro, como o Face Oculta, nenhum dos três candidatos revela para já a capacidade para derrotar Sócrates nas urnas. E é esse o seu principal trunfo político.

publicado por concorrenciaperfeita às 10:00
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3 comentários:
De Ideias e laranjas a 6 de Março de 2010 às 13:21
A PAC teve em Portugal um efeito "devastador":os campos ficaram em pousio, os animais tresmalhados e os peixes mergulharam fundo.Enquanto isso a floresta escondeu-se atrás da árvore.
Neste quadro o que aconteceu ao laranjal e está acontecer ao roseiral (repetindo a monocultura do passado) foi pulido de uma forma valente pelo Vasco.
Mas a questão continua em aberto e é uma questão central:será que isto só lá vai com um PEC politico imposto de fora para dentro, ou ainda temos hipóteses de acreditar que a questão da PAC foi apenas a parte inicial do "abandono do Primário" no País de Salazar e Caetano?
Porque entrámos directamente no "Terciário" de Soares, Cunhal e Carneiro (2 já desaparecidos em especial este último nunca substituido a contento) mas em que agora as sementes não conseguem " medrar" porque o terreno é pobre, precisamos de mais adubo natural de Ideias.
"A ver vamos", como dizia com esperança o cego, se no laranjal há PAC (Prgrama de Amigos Comuns) ou PEC (Programa de Espectáculo Completo).
Enquanto isso "Programas há muitos" na era da Internet e na lógica do edit cut edit paste.
Requere-se mais sumo e menos laranjas.


De Velez Roxo a 7 de Março de 2010 às 10:57
Os comentários moderados, num País "normal" deveriam ser publicados (desde que não ultrapassassem as regras da boa educação e dos sãos principios do espaço de opinião) e depois comentados pelo "blogman").
Parece que não é isso que acontece neste.Donde a concorrencia não é perfeita.Digamos que a sorte é que, em jornalismo de opinião, os monopólios são sempre temporários.
Coloquei um post neste blog.Não foi publicado.
Certamente terei legitimidade para pensar: Costa e as ideias é como o PSD e as ideias:estão conformados com o que existe e se vai controlando pelo Poder no Poder.


De António Costa a 7 de Março de 2010 às 17:20
Caro Velez Roxo,
Peço desculpa pelo atraso na publicação do comentário. Não foi, obviamente, pela necessidade de controlar o poder, ou a informação, tese tão em voga no nosso país. Foi por uma razão, prosaica, de carácter técnico associado a este novo espaço de debate e opinião no Económico.
AC


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