Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

A Alemanha que a Europa não merecia

A Alemanha está a revelar-se, dia após dia, uma fonte de instabilidade na União Europeia e, particularmente, na zona euro. A actual Alemanha, economia mais forte do espaço europeu, e para quem todos olham quando alguma coisa corre mal, não tem estado à altura do seu destino.

A crise dos países periféricos - económica, financeira e social - é, em primeiro lugar, responsabilidade dos respectivos governos. É óbvio que as autoridades políticas da Grécia, da Irlanda e de Portugal não perceberam o que aí vinha e, embora com problemas diferentes, conduziram as suas economias para um estado de emergência. Mas, dito isto, caberia à Alemanha, e à senhora Merkel, desempenharem um papel clarificador sobre o futuro da Europa e da própria moeda única. Como teve Kohl aquando da reunificação alemã.

A chanceler alemã tem pensado mais em si e no seu futuro político do que na Alemanha e na Europa. E esta visão tem, obviamente, tido seguidores: por exemplo, quando se lê e ouve Juergen Stark, economista e membro do conselho executivo do BCE, atirar, literalmente, os países periféricos da zona euro aos lobos, aos especuladores.

A Alemanha é a financiadora-mor dos maus alunos europeus, entre os quais está, obviamente, Portugal. E isso cansa. Cansa a chanceler, porque cansa os contribuintes alemães. Mas este estatuto só lhe dá responsabilidades acrescidas e, neste momento, é legítima a dúvida sobre as verdadeiras intenções do governo alemão: o euro é para continuar ou não?

A sucessão de declarações de responsáveis políticos e económicos alemães sobre a reestruturação da dívida da Grécia transforma a Alemanha numa 'espécie' de Bloco de Esquerda europeu. Com uma agravante: quando a chanceler alemã fala, os mercados acreditam, e tomam decisões em função disso, como se tem visto no agravamento dos juros e no risco-país das economias periféricas.

Só vejo uma virtude na crise grega, e que nos ameaça a todos, não só aos periféricos, como a toda a zona euro. Será uma evidência - rapidamente - que a Alemanha vai ter de mudar de posição, e provavelmente já amanhã, na reunião franco-alemã sobre o caso grego. Mas, mais importante, sobre o futuro europeu, a necessidade de maior integração política e de um orçamento, e o ministro das Finanças, europeu. E da emissão de obrigações europeias, claro.

A nossa vida, como se percebe, é tudo menos previsível. Mesmo com um governo maioritário, estável e a jurar o cumprimento da nova 'constituição', o plano da 'Troika'. O primeiro-ministro indigitado não ter tempo para se sentar.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:14
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