Segunda-feira, 27 de Junho de 2011

Uma questão de impressões

A primeira impressão de Carvalho da Silva sobre o novo ministro da Economia e Emprego, Álvaro Santos Pereira, foi uma “não impressão”. Mas o secretário-geral da CGTP poderia ter dito que foi uma ‘má impressão’. Ainda bem.

O novo ministro vai ter uma tarefa ciclópica, porque acumula áreas tão diversas como a indústria, a energia, os transportes e telecomunicações e o emprego, mas, sobretudo, porque a economia está pelas ruas da amargura e porque a suarecuperação vai ter de ser deixada aos empresários e aos trabalhadores. Como deveria ter sido sempre.

Carvalho da Silva, simbolicamente o primeiro a ser recebido na Horta Seca, esperava respostas logo no primeiro encontro. E, como não as obteve, achou mal.

Santos Pereira não poderia ter dado respostas, mas, se as desse, obviamente, Carvalho da Silva não gostaria de as ouvir. Porque a competitividade da economia portuguesa não passa pela agenda da CGTP.

Carvalho da Silva tem razão num ponto: o aumento do salário mínimo para 500 euros líquidos deve ser concretizado no curto prazo. A situação económica do País é a que é, mas também é verdade que a percentagem de trabalhadores por conta de outrém que auferem o salário mínimo é inferior a 10% do total. Dito de outra forma, um aumento de 15 euros terá um impacto reduzido nas contas das empresas e o seu impacto indirecto nos salários acima desse valor são passíveis de serem controlados.

Já as medidas que se anunciam, e que são necessárias, por exemplo, na redução da Taxa Social Única e nas alterações às regras de contratação e despedimento individual e nas prestações sociais, não colhem o apoio de Carvalho da Silva.

O que se antecipa, da reunião de ontem, e das declarações do secretário-geral da CGTP à saída da Horta Seca é uma conflitualidade social permanente e em crescendo, à medida que o plano de austeridade for adoptado. Porque, ao contrário do que diz, Portugal está obrigado a cumprir o que acordou com as instancias internacionais que nos emprestaram 78 mil milhões de euros. E com os portugueses que votaram de forma clara na mudança de Governo.

Álvaro Santos Pereira tem sido o ministro mais mediático do novo Governo. Não deve ser, deve resguardar-se para outro momento, quando for necessário ser mediático, e evitar as frases e afirmações soltas, como as que já fez, porque elas podem, e vão, voltar-se contra si. E deve concentrar-se em cumprir, já em Julho, as difíceis medidas que estão no calendário negociado com o FMI, Bruxelas e o BCE. Apesar da ‘não impressão’ de Carvalho da Silva. n

 

PS: Bernardo Bairrão ganhou o título de ex-futuro secretário de Estado da Administração Interna em menos de 48 horas. Administrador-delegado da TVI até ontem de manhã, foi pré-anunciado por Marcelo Rebelo de Sousa e vetado pelo primeiro-ministro. Mais do que o nome de Bairrão, o caso merece reflexão e revela que Pedro Passos Coelho está longe de ser o ‘animal manso’ que alguns antecipavam. Ainda há poucos dias, na antena da própria TVI, Bernardo Bairrão manifestou de forma pública e notória a sua oposição a uma medida anunciada, por mais de uma vez, pelo primeiro-ministro, a privatização da RTP. Percebe-se mal o convite do ministro Miguel Macedo, mas percebe-se ainda pior a disponibilidade de Bernardo Bairrão, tendo em conta a natureza da divergência anunciada e o facto de ser oriundo, precisamente, de uma televisão privada.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:29
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