Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Finalmente, o dia 'B'

Hoje é o dia 'B', de BPN. Quase três anos e 3,9 mil milhões de euros depois da nacionalização de um banco que se tornou, também num caso de polícia, termina o prazo para os interessados na compra do banco apresentarem as suas propostas. Ou para a sua liquidação.

O BPN é um daqueles casos que merece ser estudado, infelizmente, pelos piores motivos, para não mais se repetir. Uma gestão, de Oliveira e Costa, que se revelou fraudulenta e que escapou à supervisão do Banco de Portugal, uma nacionalização rápida por causa de um buraco, à data, de 700 milhões de euros, e um processo de privatização longo e falhado. Claro, com um aumento progressivo, à medida do tempo que passava, dos encargos que os contribuintes tiveram de assumir. Sobra o esforço de uma administração de gestão que susteve, como pôde, a fuga de depósitos e conseguiu o milagre de ter o banco em plena actividade numa situação de impasse sobre o seu futuro e no meio de uma crise financeira sem paralelo na zona euro.

Agora, é fácil criticar a decisão de nacionalização do BPN, como fez recentemente, de forma inusitada, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso. Mas, à data da sua decisão, verdadeiramente, ninguém tinha uma resposta para as eventuais consequências da falência daquele banco no sistema financeiro.

O pecado original não foi esse, mesmo admitindo a validade do plano apresentado por Miguel Cadilhe, que obrigaria o Estado a partilhar a factura, e que Sócrates e Teixeira dos Santos recusaram. O pecado original foi o tempo, e as sucessivas hesitações, na devolução do banco ao mercado. Basta a comparação com o que se passou em Inglaterra, que também procedeu a intervenções no sistema bancário em 2008 e 2009, para perceber que o Governo demorou tempo demais, ao ponto de a venda do BPN se tornar impossível nas condições, rígidas, que foram impostas.

Hoje, por imposição externa, o Governo está obrigado a vender o BPN da melhor forma que puder, e isso não é um bom negócio. Porque continua a estar em causa o interesse público e a defesa dos interesses do Estado, leia-se, dos contribuintes, que já pagaram 1,8 mil milhões de euros nas contas de 2010 e veremos se não têm de pagar ainda mais.

O estado do sistema financeiro português, provavelmente, pediria a liquidação do BPN e a distribuição dos seus depósitos pelo mercado, mas a venda é a melhor opção, desde logo pelos custos sociais daí decorrentes. Mas, para isso, o Estado - todos nós - vai ter de injectar no BPN, pelo menos, mais 500 milhões de euros para colocar os rácios do banco em linha com as exigências do Banco de Portugal. Ora, exige-se que os negociadores em nome do Estado assegurem que esse novo reforço de capital seja mesmo para ficar no banco, e para o  e não para financiar, de forma encapotada, o novo dono.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:05
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