Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Mudar a Caixa, para quê?

A Caixa Geral de Depósitos mudou de administração e mudou também de modelo de organização. O banco público - que chegou a constar da lista de privatizações de Pedro Passos Coelho no início da campanha eleitoral , mas acabou por ser excluído, ficando apenas as suas participadas não estratégicas - passa a ter um 'chairman' e um presidente executivo, um modelo difícil de perceber quando existe um accionista único, neste caso o Estado.

Dizem as regras de bom governo das sociedades que o modelo de governação com um presidente do conselho de administração, vulgo 'chairman', e um presidente executivo se justifica porque é necessário que o 'chairman' se concentre na gestão e contacto com os accionistas e o executivo na gestão da empresa. Ora, neste caso, Faria de Oliveira, que 'sobe' a presidente do conselho, só tem um accionista com quem falar, o ministro das Finanças. E, como era, até agora, executivo, poderá ter a tentação de interferir na gestão corrente e operacional do banco, agora nas mãos de José de Matos. O modelo está longe de ser claro, os riscos são muitos e, provavelmente, desnecessários quando o sistema financeiro português dispensa bem potenciais guerras no maior banco do sistema. A Caixa, aliás, é um bom exemplo de como este novo modelo pode funcionar muito mal, como sucedeu quando coabitaram, em tempos, António de Sousa e Mira Amaral, o que prejudicou muito o banco.

Não estão em causa as competências técnicas e profissionais de Faria de Oliveira ou de José de Matos, mais um alto quadro do Banco de Portugal (bem) escolhido directamente pelo ministro Vítor Gaspar, nem sequer o alargamento do conselho a 11 elementos, como, demagogicamente, alguns querem fazer crer. Está em causa um modelo que começa mal quando Nogueira Leite enfatiza, nesta edição, que aceitou o convite para vice-presidente executivo, figura que não existe na lista que a CGD revelou na sexta-feira, após a assembleia geral.

Sugiro um modelo: Faria de Oliveira fica como presidente do grupo Caixa e gere a venda das actividades não 'core', como os seguros, a saúde, e também a gestão das participações em empresas como a PT ou a Zon, que terão igualmente de ser vendidas. E José de Matos - com Nogueira Leite e a restante equipa executiva - assume a gestão do banco propriamente dito, incluindo a área de investimento. Mas, foi para isso que foi convidado?

O Governo ainda está a tempo de evitar potenciais conflitos, mesmo dando o dito por não dito a algum dos novos protagonistas. É preferível fazê-lo já a ter de despedir uma administração que acaba de tomar posse por causa de um modelo mal preparado.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:09
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