Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

O regresso ao pior dos passados

O mini-crash que ontem atravessou as bolsas dos principais mercados financeiros do mundo fez-nos regressar ao passado, a 2008 e ao quase colapso de um sistema que levou à falência o Lheman Brothers e à nacionalização dos prejuízos de bancos pelo mundo fora.

O mundo está, outra vez, à beira do precipício, depois de quase três anos a tentar recuperar do trauma que foi a Grande Recessão, como ficou conhecida a crise financeira e económica de 2007/2008. E, como ficou claro, os investidores - em Lisboa, em Londres, em Frankfurt, em Wall Street - ainda não recuperaram da crise e, ao mais pequeno sinal, fogem dos mercados.

A queda das bolsas internacionais durante o dia de ontem - só Lisboa perdeu mais de dois mil milhões de euros - resulta de factores do dia, como as previsões da Morgan Stanley sobre o crescimento económico internacional, ou a falta dele, mas sobretudo de uma realidade que já parecia ter sido ultrapassada: não estamos apenas a viver a ressaca dessa Grande Recessão, de facto, ainda não saímos dela.

Os investidores estão de alguma maneira a viver o sídrome do condutor que teve um acidente grave ou, se quisermos, que se envolveu num choque em cadeia. Antes do acidente, não deu atenção aos avisos de mau tempo e de piso escorregadio, e subvalorizou os riscos; depois do choque em cadeia, conduz como um condutor que acabou de tirar 'a carta' e sobrevaloriza todos os sinais, leia-se, riscos.

Qualquer notícia menos positiva tem hoje efeitos devastadores no processo de decisão de quem está hoje a comprar e a vender acções e, mesmo os especuladores, que em determinados momentos ganham com as valorizações, estão apostados em ganhar com as perdas. E como a tradição já não é a que era, nem é preciso esperar pelo tradicional mês de Outubro, Agosto, de férias, também não escapou ao pânico.

Infelizmente, estamos piores hoje do que em 2008, porque, nessa altura, não existia crise das dívidas soberanas, os investidores não só não estavam preocupados com os gastos públicos, como incentivaram os governos a seguir esse caminho para travar a queda da economia. Hoje, os governos não podem deitar mais dinheiro para cima de um problema que, sejamos claros, resultou de excesso de despesa, sobretudo privada, de excesso de liquidez nos mercados que foi canalizada para os conhecido produtos tóxicos.

É claro que vamos viver o que os economistas classificam de 'double dip', ou duplo mergulho na recessão. Portanto, como poderemos sair daqui? Como escreve Jeffrey Sachs na edição de hoje do Diário Económico (ver pág. 15), os líderes europeus e norte-americano estão a fazer tudo ao contrário. Não há liderança, há confusão. E alguém ainda se lembra da cimeira franco-alemã desta semana? Não é, sequer, um problema de esquerda ou de direita, não é um problema ideológico, é a ausência total de objectivos claros e conhecidos de todos.

Os tempos de excepção exigem Homens de excepção e uma capacidade de liderança excepção.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:01
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