Domingo, 21 de Agosto de 2011

O bailinho de Jardim

A dívida da Madeira cresceu mais de 100% em apenas cinco anos, é hoje da ordem dos mil milhões de euros e serviu para financiar a perpetuação de Alberto João Jardim no poder. Agora, perante a realidade, quer negociar um acordo de urgência com Pedro Passos Coelho. A pouco mais de um mês das eleições regionais.

A situação da Madeira, ironicamente, faz-nos recuar alguns meses e recordar José Sócrates e a forma como acabamos nas mãos da 'troika', do FMI e de Bruxelas. A poucas semanas de ir a votos, Sócrates foi mesmo obrigado a pedir ajuda externa; agora, Jardim também quer ajuda externa, dos 'cubanos' do Continente. Separados à nascença, por ideologia e feitio, unidos na desgraça financeira que resulta de uma política alimentada por dívidas que, simplesmente, não se pagam por si. A falência, na Madeira, também está aí ao virar da esquina.

O pedido dramático de João Jardim, é claro, antecipa o debate eleitoral, narrativa, aliás, que já tinha começado antes das legislativas que levaram Passos Coelho a primeiro-ministro e que só se esbateu quando a tragédia do temporal arrasou com a região. Primeiro, 'explicou-nos' que tinha de recorrer à dívida para evitar o ataque financeiro do Governo socialista, que, obviamente, não foi muito eficaz, ou Jardim não teria tido a oportunidade de multiplicar por várias vezes a dívida que tinha em 2005 quando Sócrates chegou.

Este fim-de-semana deu a saber que vai deixar de pagar aos fornecedores e que o problema está agora nas mãos do novo primeiro-ministro. E ainda tem a 'lata' de exigir mais autonomia… Percebem, agora, porque é que Merkel não está disposta a aprovar as obrigações europeias, as 'eurobonds', sem fortes restrições às autonomias dos Estados, ou, se quisermos a versão benigna, sem mais coordenação e integração europeia. A Madeira não precisa de mais autonomia, precisa de menos, especialmente se não existirem sanções efectivas para comportamentos como os de Jardim.

Passos Coelho tem uma tarefa difícil, e uma oportunidade única. Será difícil, obviamente, dizer não a João Jardim, porque isso será também dizer não ao partido, ou a uma parte dele. Mas se aceitar negociar agora, e nos termos de Jardim, estará a envolver-se directamente nas eleições regionais, estará a promover o que criticou antes e depois das legislativas, estará a contribuir para perpetuar uma forma de (des)governo que nos trouxe a austeridade que vivemos hoje.

Os portugueses fizeram a vontade a Pedro Passos Coelho e abriram um novo ciclo no País, político e até geracional. O novo Governo tem prometido muito, embora, para já, só os aumentos de impostos sejam uma realidade. A forma como este processo for conduzido vai revelar se as intenções do primeiro-ministro são para todos os portugueses ou se uns continuarão a ser mais do que outros.

publicado por concorrenciaperfeita às 21:01
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds