Domingo, 11 de Setembro de 2011

O ‘novo’ PS de Seguro

António José Seguro é, desde ontem, secretário-geral socialista de pleno direito, depois do congresso de fim-de-semana que encerrou três meses de lutas internas. O PS pode, agora, regressar à Oposição, e o País precisa disso, mas o primeiro dia permite tirar algumas ilações.

Em primeiro lugar, o ‘novo’ PS e mesmo algumas das principais figuras que transitam do ‘socratismo’ para o ‘segurismo’ apagaram da história como é que chegámos até aqui. Uma economia que não foi capaz de criar empresários e empresas, que investiu nos sectores errados no momento errado, uma dependência financeira do exterior que revelou todos os seus riscos e nos levou a um pedido de ajuda externa de 78 mil milhões de euros.

Em segundo lugar, o ‘novo’ PS de António José Seguro vai ser mais ideológico, como é sempre que está na Oposição, como revela a grande reportagem do jornalista António Freitas de Sousa nesta edição (ver págs 6 e 7). Estar na Oposição é estar mais próximo das pessoas, claro, especialmente quando o Governo tem de cumprir um memorando de entendimento assinado, ironicamente, pelo ‘velho’ PS.

Em terceiro lugar, a oposição do ‘novo’ PS vai ser, por esta razão, mais difícil de combater. Porque sim, mas também por responsabilidade do Governo.

Quando António José Seguro fala da necessidade de proteger o Estado social, sabe que não é possível fazê-lo nos termos em que ele é hoje prestado aos cidadãos. Simplesmente porque não há impostos que o sustentem, simplesmente porque não há economia. É possível, e desejável, um Estado social melhor, mais justo, mas não o mesmo que existe hoje. A retórica do Estado social é fácil de fazer passar junto da opinião pública e publicada, sobretudo quando não se exigem decisões.

Depois, porque o Governo assume que quer ir mais longe do que a ‘troik’a e porque tem ‘Gaspar’ a mais e ‘Álvaro’ a menos. O ministro das Finanças esmagou os portugueses com os aumentos de impostos, e nem todos estão no memorando da ‘troika’. Como se isso fosse suficiente. Anunciou, no fundo, que o Governo é novo, mas a estratégia é velha, é a de mais aumentos de impostos que, reconhece, candidamente, são fáceis de executar. O ministro da Economia não falou, ainda, e já deveria ter falado. Porque ainda não se percebeu a visão do Governo para a competitividade, o que vai fazer, o que vai mudar nas políticas públicas.

Este é, claro, um terreno fértil para o ‘novo’ PS crescer e ganhar força. António José Seguro, já se percebeu, vai ter a tentação de colar os socialistas à rua, à manifestação nacional da CGTP e que, necessariamente, vai arrastar a UGT. Porque isso vai ser, também, a forma de unir o próprio partido em torno da sua liderança.

Vamos, por isso, ver regressar a política ao debate. Que faz falta.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:59
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