Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

Cavaco e Passos têm o futuro de Jardim nas mãos

Qual terá sido o resultado do encontro de emergência entre o Presidente da República, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, por causa do buraco nas contas da Madeira?  A resposta a esta pergunta vale mais de mil milhões de euros e, provavelmente, o futuro político de Alberto João Jardim.

Há apenas três meses, seria impensável admitir que Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho teriam nas mãos uma possibilidade histórica, a de contribuir para a alternância democrática num governo regional que é, há trinta anos, controlado por Jardim.

As eleições regionais realizam-se no próximo dia 9 de Outubro, portanto, o Presidente e o primeiro-ministro têm tempo para deixar claro aos eleitores madeirenses o que foi feito e com o dinheiro de quem. É óbvio que Cavaco e Passos têm todo o interesse em fazê-lo, por todas as razões: o pântano chegou à ilha, o ar tornou-se irrespirável e os sacrifícios têm de ser assumidos por todos.

O que se passou no Continente com José Sócrates e, agora, na Madeira com Alberto João Jardim tem, ironicamente, um atlântico de semelhanças. Antes das eleições legislativas, Sócrates foi obrigado a pedir ajuda externa sob pena de não ter fundos para honrar os compromissos que Portugal tinha e, em seguida, ‘a troika’ impôs um plano de austeridade que levou Passos Coelho ao Governo. Agora, Alberto João Jardim fez exactamente o mesmo, agravado pela forma despudorada com que assume ter violado a lei, “em legítima defesa”. E o plano de austeridade que se seguirá vai resultar na derrota do presidente regional. Porque, mesmo que vença, só a perda da maioria absoluta será uma grande mudança depois de 30 anos de “ditadura”.

Jardim apresenta um plano de obras feitas, à custa de muitos perdões de dívida, pagos com impostos, e de mais de cinco mil milhões de euros de transferências do Orçamento do Estado e de fundos comunitários. E da complacência política e financeira de sucessivos governos que olharam sempre para os deputados da Madeira como um partido regional – verdadeiramente o único que se formou no Parlamento. Justiça seja feita a Teixeira dos Santos - e a Sócrates - que tentaram pôr Jardim na ordem, mas acabaram travados por uma tragédia que, momentaneamente, os uniu.

Agora, Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho têm a obrigação de dar os sinais certos. Não podem substituir-se à Democracia, aos votos dos eleitores, mas devem esclarecê-los, por actos e omissões. Actos públicos de divulgação do estado de sítio a que chegou a Madeira, e omissões no apoio público a um presidente do Governo regional que representa tudo o que os dois políticos denunciaram nos últimos anos e meses.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:02
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds