Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Portugal vai ter de pedir mais fundos à ‘troika’

Portugal vai ter de renegociar o empréstimo externo que assinou em Maio com a ‘troika’, e não vai ser por causa da Grécia. A verdade é que os 78 mil milhões de euros não chegam para cobrir as necessidades financeiras do País nos próximos três anos e, particularmente, as das empresas públicas, que continuam a absorver os recursos da banca nacional.

Na RTP, Pedro Passos Coelho abriu a discussão, eventualmente de forma prematura, por causa da desconfiança que o tema gera. Nos Açores, Cavaco Silva tentou fechá-la, mas a questão da renegociação do acordo com a ‘troika’ é evidente desde  o primeiro minuto. Em Maio, quando o Governo de José Sócrates anunciou o pedido de ajuda externo, o Diário Económico titulou, em manchete, que Portugal precisaria, pelo menos, de 100 mil milhões de euros, aos quais teriam de ser acrescentados os fundos destinados à recapitalização da banca. Porquê? Porque foi identificado, desde o início, que as empresas do sector público empresarial estão numa situação de pré-falência e devem hoje entre 25 e 30 mil milhões de euros aos bancos nacionais.

O Governo não pôde, ou não quis, reflectir as necessidades das empresas públicas no acordo, mas o buraco, os muitos buracos, estão lá. Nos transportes e não só. Ora, quando as autoridades políticas e os reguladores pedem à banca que, ao mesmo tempo, reforce os seus capitais, reduza o rácio entre depósitos e empréstimos e continue a financiar a economia, estão a pedir o impossível. Ou melhor, estão a exigir que a banca venda todos os seus activos ou que recorra ao fundo de 12 mil milhões. Os banqueiros aceitam a primeira, mas recusam, liminarmente, a segunda, porque isso seria abrir as portas do seu capital ao Estado, ao poder político.

Sobra, por isso, uma  última alternativa. Nos próximos meses, os bancos portugueses vão ter de continuar a financiar as empresas públicas, até porque os bancos estrangeiros estão a ir ‘embora’. Depois, o Governo vai ter de cumprir os objectivos para 2011, seja na redução do défice público e nas privatizações, seja nas reformas estruturais como o arrendamento, a concorrência ou o mercado de trabalho. Se isto for feito, Pedro Passos Coelho vai ter condições políticas externas para renegociar o empréstimo e pedir o seu reforço para os valores que já deveriam estar negociados.

Este caminho tem de ser feito nos próximos meses, desde logo porque a situação da Grécia gera uma profunda desconfiança sobre os países mal-comportados. Depois, porque os bancos precisam urgentemente de liquidez – leia-se dinheiro disponível – para emprestar às pequenas e médias empresas, sob pena de a economia afundar para níveis que não estamos habituados a ver, nem a sentir.

publicado por concorrenciaperfeita às 11:04
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