Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Ao centésimo dia, a luz

Pedro Passos Coelho chegou ao centésimo dia de governação com uma sucessão de choques de austeridade, anúncios de que o pior está para vir e, mesmo assim, com intenções de voto superiores a 47%, de acordo com o barómetro da Marktest. Surpreende? Nem por isso.

Quando Pedro Passos Coelho ganhou as eleições de 5 de Junho, já era claro que o ministro das Finanças que viesse a ser escolhido seria crítico para o sucesso do Governo. Todos os ministros são importantes, mas há uns mais importantes do que outros, ainda mais na situação em que está o País. Vítor Gaspar, como se sabe, não foi a primeira escolha, mas tem sido a melhor escolha. Mesmo tendo em conta as suas características ‘especiais’, que ficam bem patentes quando dá conferências de imprensa ou entrevistas, Gaspar inspira confiança, mostra tranquilidade mesmo quando anuncia as medidas mais gravosas.

Os primeiros cem dias foram marcados, sobretudo, pelo anúncio do corte de 50% do subsídio de Natal e pelos aumentos extraordinários de impostos, quer sobre o rendimento das famílias, quer sobre os lucros das empresas. Foram “murros no estômago”, porque foram impostos a mais – e cortes de despesa a menos – para um Governo que, antes das eleições, garantia pretender fazer exactamente o contrário. Mas a verdade é que, mesmo com erros e omissões, também de comunicação, o Governo foi capaz de passar uma mensagem: o estado do País é pior do que aquele que se conhecia antes das eleições e Portugal não pode falhar, sob qualquer circunstância, o acordo que assinou com a ‘troika’.

Depois, o Governo beneficiou, nestes primeiros cem dias, de dois factores que vão, necessariamente, desaparecer, nos próximos cem: as medidas mais difíceis ainda não são sentidas nos bolsos dos portugueses e o PS – o principal partido da Oposição – esteve em gestão corrente, à espera de um líder… Seguro.

A partir de agora, o Governo vai ter de fazer mais e não bastará afirmar que está a cumprir o acordo da ‘troika’. Vítor Gaspar vai apresentar um Orçamento do Estado – o primeiro – que será decisivo para perceber se Portugal vai mesmo assistir a um corte de despesa histórico e nunca visto. E a uma reforma do Estado que o suporte. Álvaro Santos Pereira – que esteve praticamente ‘desaparecido’ nos primeiros cem dias – vai ter de sair do gabinete, vai ter de aparecer. Não só nas visitas às empresas, mas também com medidas concretas, nomeadamente nas políticas de financiamento da empresas.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:50
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