Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

Presidente e Governo acertam o passo

O Presidente da República, Cavaco Silva, deixou ontem claro que é um aliado de Pedro Passos Coelho e da política de austeridade seguida nos últimos cem dias. Na primeira entrevista desde a tomada de posse do Governo, Cavaco secundou as decisões – as mais impopulares -, defendeu-as e acabou mesmo por ser um porta-voz do que foi feito para que Portugal possa ser – outra vez – um bom aluno da Europa.

Depois de seis anos de convivência crescentemente difícil com José Sócrates – que, aliás, Cavaco fez questão de sublinhar -, regressou a cooperação activa entre São Bento e Belém. Num momento em que as medidas de austeridade já anunciadas, as mais difíceis, ainda não atingiram os bolsos dos portugueses, o Presidente esforçou-se por explicá-las e, até, justificá-las. Foi assim na forma como o Governo está a gerir o caso Jardim, no aumento de impostos que deixaram de fora os rendimentos de capital, na redução da Taxa Social Única que Pedro Passos Coelho se prepara para deixar cair e até nas privatizações, que servirão para trazer financiamento à economia.

As sondagens estão a revelar o apoio dos portugueses às políticas de Pedro Passos Coelho, também porque os primeiros cem dias foram, paradoxalmente, os mais fáceis. O Governo herdou um país que é hoje um protectorado das instituições internacionais, em situação de emergência financeira e económica e social, e respondeu de forma assertiva, com medidas de curto prazo e anúncios de austeridade para 2012 que já se conhecem, mas ainda não se sentem. Cavaco, de alguma forma, pressente isso mesmo e preparou os portugueses para o que aí vem.

Fica, mais claro do que nunca, na entrevista do Presidente da República que o Governo vai ter de arranjar forma de renegociar algumas das condições que o anterior primeiro-ministro negociou, sob pressão, com a ‘troika’. Porque as medidas, como estão desenhadas, não têm em conta a situação de Portugal e da economia portuguesa.

O financiamento da economia foi, talvez, o mais relevante desses pontos, e talvez de toda a entrevista. Desde logo porque a capacidade da banca de financiar as empresas é, neste momento, um nó górdio na necessidade de promover políticas de crescimento económico. Por mais cortes de despesa e reformas estruturais que o Governo promova, e espera-se que o Orçamento de 2012 os revele, não haverá mais produção e mais exportação sem bancos capazes de a financiarem. Cavaco Silva afirmou o que já parece óbvio para todos: o Governo vai ter de renegociar as condições que obrigam a banca portuguesa a reduzir o rácio de depósitos e de crédito e que são uma limitação ao financiamento das empresas.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:45
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds