Domingo, 9 de Outubro de 2011

Seguro deveria ouvir Teixeira dos Santos

A uma semana da apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2012, há a certeza de que o documento vai ser aprovado pela maioria PSD/CDS e a dúvida sobre a decisão de voto do PS. Tendo em conta a situação do País, António José Seguro não deveria ter dúvidas em aprovar a proposta de orçamento para o próximo ano.

O Governo tem conseguido, muito por mérito do ministro das Finanças Vítor Gaspar, estabilizar a situação financeira de Portugal aos olhos da ‘troika’, dos mercados (leia-se das agências de rating) e até da senhora Merkel. À custa de muitos aumentos de impostos, é certo, mas também da promessa de cortes na despesa e da garantia de que Portugal vai cumprir este ano a redução do défice público para 5,9%.

Contudo, não chega. O Orçamento do Estado para 2012 é crítico e a sua aprovação deveria ser tanto mais alargada quanto o possível. Como disse, e bem, Teixeira dos Santos no seu ‘regresso’ à política, não é tempo para tirar dividendos políticos da situação do País. E o ex-ministro tem particular legitimidade para o dizer. Nunca esteve em causa a sua competência técnica, inquestionável, mas os números de 2010 – que deveriam ter sido outros para afastar Portugal da necessidade de uma ajuda externa – puseram em causa a sua capacidade política, a força para travar José Sócrates e o PS. E essa incapacidade tornou-o também corresponsável. Eventualmente, injustamente, mas a história ainda será feita.

António José Seguro deveria ouvir Teixeira dos Santos. O secretário-geral do PS tem a oportunidade de mostrar que o País está à frente do partido. Porque é relevante que a proposta de Orçamento tenha o apoio expresso – o voto favorável – dos três partidos que assinaram com a ‘troika’o acordo de assistência financeira e as suas linhas de execução.

O secretário-geral socialista não ficará refém desse acordo. Ganhará a autoridade política que Pedro Passos Coelho ganhou quando ‘deu a mão’ a Sócrates. Seguro tem, além disso, a oportunidade de ganhar outra autoridade se tiver a arte e engenho para negociar as condições do voto favorável ao orçamento. Porque o Governo também deverá pôr o País à frente dos interesses partidários e estar disponível para acolher as sugestões do PS que não ponham em causa os objectivos negociados com a ‘troika’.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:01
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