Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

O ministro que já perdeu espaço para errar

Álvaro Santos Pereira transformou-se, num ápice, no primeiro alvo a abater no Governo de Passos Coelho, e, apesar de ainda merecer o benefício da dúvida dos empresários e gestores, já não escapa aos comentários, mais ou menos irónicos, mais ou menos mordazes, de altas figuras do PSD e do CDS, que fazem apostas sobre a data de uma remodelação pré-anunciada. Era inevitável, por várias razões.

Quando Pedro Passos Coelho anunciou a formação do Governo, surpreendeu pela escolha dos ministros das Finanças e da Economia, duas personalidades de competência técnica à prova de bala. Mas decidiu dar ao ‘estrangeiro’ Álvaro Santos Pereira um super-ministério com áreas políticas sensíveis. Um risco, logo à partida, porque o novo ministro não tinha qualquer experiência nem rede política de apoio.

Depois, criou-se, erradamente, a ideia de que Álvaro Santos Pereira seria o ‘lado bom’ de Vítor Gaspar. Os portugueses querem ouvir boas notícias, querem conhecer medidas de política económica que permitam pôr a economia a crescer, a criar emprego, por contra-ponto à austeridade do ministro das Finanças, ao aumento de impostos e aos cortes de despesa no Estado e nas áreas sociais. Ora, a transformação da economia portuguesa exige, pelo contrário, medidas difíceis e impopulares. Basta, para isso, citar as áreas da legislação laboral ou da reestruturação do sector dos transportes públicos. E as dificuldades da banca em financiar a economia e as empresas só tornam este trabalho mais complexo e a exigir tempo.

O trabalho de Álvaro Santos Pereira é, por isso, ingrato, porque não são os ministros que fazem a economia crescer. Aliás, esse foi o erro nos últimos anos e se o Estado tiver, no final desta legislatura, menos intervenção na economia do que tem hoje, ‘o Álvaro’ já prestou um grande serviço ao País. Em comparação com o intervencionismo de Manuel Pinho e a ausência de Vieira da Silva, o caminho do actual ministro da Economia é mesmo o mais difícil.

É certo, Álvaro Santos Pereira também não tem ajudado. A boa vontade em anunciar medidas e planos sempre para os próximos dias tem sido confundida com a necessidade de apresentar, efectivamente, medidas concretas. O_ministro da Economia tem criado problemas onde eles não existem e tarda em apresentar soluções para os problemas que já são conhecidos.

Temos, por isso, um economista que ainda está a aprender a ser ministro da Economia, mas que já perdeu o espaço para errar.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:43
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