Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Um choque de realidade

Portugal está numa situação de emergência financeira, económica e social, a proposta de Orçamento do Estado para 2012 é um verdadeiro orçamento de empobrecimento organizado, para mudarmos de regime, mas os portugueses ainda não perceberam a dimensão desta crise. É talvez isso que explica a transparência crua e sem ilusões de Pedro Passos Coelho, ontem, na conferência do Diário Económico, sobre Portugal 2012 e o Orçamento do Estado.

O discurso do primeiro-ministro foi, na forma e na substância, o que regra geral ouvimos aos candidatos a São Bento ou aos líderes da oposição, não a quem tem responsabilidades de Governo. Os portugueses não poderão voltar a dizer, sem mentir, que os políticos portugueses não lhes dizem o que está em causa, o que vai suceder, o caminho que vai ser percorrido, no sector público e no sector privado. Desde logo que as dificuldades não vão acabar em 2012, para, no ano seguinte, regressarmos à vida que tínhamos.

Pedro Passos Coelho respondeu a todas as críticas e falou ao País. Respondeu a Cavaco Silva: “Podíamos ter ido pelo lado do aumento da despesa, aumentando os impostos para todos e não apenas para os funcionários públicos e pensionistas. Mas isso era aumentar a receita e não cortar a despesa, e isso seria visto como um caminho errado. Podíamos ver o nosso programa de ajuda financeira morrer em Novembro”. Respondeu a António José Seguro: “O Governo está aberto ao diálogo com a oposição e, em particular, com o PS… [Mas] não temos espaço para reexaminar as opções fundamentais, como deixei claro”. E até à banca, que vai mesmo ter de conviver com um novo accionista, o Estado, que vai ser passivo, mas não permitirá, por exemplo, a distribuição de dividendos ou de bónus aos gestores.

A clareza do discurso exigirá, agora, a capacidade de execução. Quem ouve Pedro Passos Coelho, acredita na bondade do discurso, como acreditou quando lhe concedeu a oportunidade de ser primeiro-ministro. Mas, como disse, e bem, Luís Campos e Cunha na abertura da conferência, o Governo passou, no Orçamento de 2012, das medidas extraordinárias para as medidas temporárias. É um começo, mas é apenas isso. Falta o resto, porque tudo isto só é aceitável se existir uma saída. O caminho é estreito, e não basta saber qual é, será preciso percorrê-lo, para não continuarmos no mesmo sítio.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:02
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