Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

As empresas públicas e a economia privada

Pedro Passos Coelho admite “ajustar” o acordo de Portugal com a ‘troika’ para salvar as empresas públicas, mas poderia ter dito que, na prática, este ajustamento, a confirmar-se, será mesmo para salvar a economia privada.

A situação financeira das empresas públicas é, desde há muitos anos, de emergência, mas foi sendo disfarçada porque aparecia sempre mais um banco, português ou estrangeiro, disponível para aumentar o crédito, com o aval do Estado. Na Refer, na CP, na Estradas de Portugal, para citar os casos mais óbvios. O pedido de ajuda externa e a degradação do rating da República tiveram várias consequências, umas mais visíveis do que outras. Uma das ‘invisíveis’ foi a decisão da banca estrangeira – alguma com presença directa em Portugal - de ‘fechar’ o financiamento às empresas públicas. Sobraram, por isso, os bancos nacionais que, obviamente, não podem deixar cair o sector empresarial do Estado, sob pena de deixarem entrar pela janela uma crise que tentam evitar que entre pela porta.

A verdade é que as principais empresas públicas – nomeadamente de transporte – vivem hoje à semana, para garantir os salários e os recursos financeiros mínimos para continuarem a operar. Basicamente, dependentes do Tesouro – que vive do empréstimo externo de 78 mil milhões – e dos bancos nacionais. O problema é que o pouco dinheiro disponível não dá para tudo. Não dá para financiar as empresas privadas e as empresas públicas. Adivinhem quem fica sem financiamento?

A banca portuguesa está sob pressão, porque vive do financiamento do BCE, porque tem de diminuir o rácio entre depósitos e crédito, porque tem de aumentar os seus rácios de capital e, finalmente, porque está à vista a necessidade de pedir ajuda ao Estado. Ora, no meio disto tudo, se forem obrigados a manter o financiamento às empresas públicas, a economia privada é que vai pagar.

O acordo entre Portugal e a ‘troika’ é curto e não contemplou a dívida, avaliada entre 20 e 30 mil milhões de euros – das empresas públicas aos bancos nacionais. Foi assinado sob emergência, foi o que foi. Pedro Passos Coelho tem de mostrar trabalho antes de abrir esta discussão, mas é fundamental que o Governo garanta um ajustamento ao acordo ou, sem eufemismos, uma renegociação do envelope financeiro de ajuda externa para assegurar o financiamento, e o funcionamento, das empresas públicas. E, assim, salvar a economia privada.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:43
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