Domingo, 13 de Novembro de 2011

Ferreira de Oliveira fala mandarim?

Em tempos de turbulência económica e financeira, um negócio, qualquer que ele seja, é notícia, como o homem que morde no cão. E quando esse negócio é fechado por uma equipa e um presidente executivo em gestão corrente e num quadro accionista de conflito público e notório, é mais do que uma notícia, é um acontecimento.

O presidente executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, conseguiu o que parecia impossível ainda há poucos meses e que muitos, incluindo accionistas de referência, apontavam como um fracasso mais do que provável: fechou um acordo para vender 30% do capital da petrolífera no Brasil aos chineses da Sinopec, por 3,8 mil milhões de euros. Um preço que os investidores não 'apreciaram', mas que foi, ainda assim, acima dos objectivos fixados publicamente pela gestão da empresa.

As dificuldades do negócio eram óbvias, por razões de mercado e por motivos internos à própria empresa.

Nos dias de hoje, uma operação de quase quatro mil milhões de euros é muito relevante em qualquer parte do mundo, mais ainda numa empresa com sede em Portugal. Mesmo tendo em conta que se trata de um investimento no Brasil, e no petróleo. Porque a incerteza sobre o que se passa na economia mundial poderia ter provocado um deslizamento da operação, à espera de perceber como vão parar as modas.

Depois, porque os investidores que concorreram à compra dos 30% da Galp no Brasil sabiam que Manuel Ferreira de Oliveira está sob pressão. Em primeiro lugar, financeira, porque as exigências de capital para fazer face aos projectos naquele país são elevadas e a Galp não as tinha asseguradas; em segundo, porque Ferreira de Oliveira está em gestão corrente, resultado de uma guerra de accionistas que põe, obviamente, em causa a sua continuidade e, até, a próprio composição de capital da empresa. A ENI, por exemplo, já anunciou que está vendedora de 33,34% do capital da Galp.

O presidente executivo da Galp conseguiu garantir o capital que lhe permite reforçar a sua estrutura financeira e olhar para novos investimentos, sem cair no erro em que caiu, por exemplo, a PT há uns anos quando cedeu 50% do capital da Vivo aos espanhóis da Telefónica. Para já, pelo menos, continuará a ser a Galp a mandar. E conseguiu também uma aliança com uma das maiores empresas do mundo no 'oil & gas', alargando a sua rede à Ásia.

Finalmente, terá conseguido o bilhete que lhe faltava para entrar no próximo conselho de administração, mantendo-se como presidente executivo. A guerra entre Américo Amorim e os angolanos Isabel dos Santos e Sonangol, por um lado, e o desejo dos italianos da ENI de saírem do capital da empresa, por outro, bloqueou a nomeação de um CEO. Mas, convenhamos, é difícil - e justifica-se? - mandar borda fora um gestor que fecha um negócio de quatro mil milhões de euros em tempos de turbulência económica e financeira como os que vivemos.

publicado por concorrenciaperfeita às 20:27
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds