Domingo, 20 de Novembro de 2011

Ulrich não gosta da 'troika'

Fernando Ulrich não gosta das conferências de imprensa dos 'funcionários da troika', como os qualifica, porque dizem o que o Governo e os portugueses têm e devem de fazer. Mas este é o alvo errado, porque os problemas do País não nasceram com a 'troika', nem se agravam por causa das conferências trimestrais de avaliação da execução do programa de assistência financeira a Portugal. Os 'senhores da troika' não têm o humor de Vítor Gaspar, diz o presidente do BPI, mas a situação de emergência económica e financeira do País não está para graças.

É preciso, primeiro, recordar o que se passou em Maio, quando fomos obrigados a pedir ajuda, por causa da crise internacional, mas, sejamos claros, por responsabilidades próprias, como alertou o próprio Ulrich várias vezes. Era, por isso, mais do que razoável esperar que quem nos empresta dinheiro fizesse uma avaliação periódica - ou uma auditoria - ao que estamos a fazer. As conferências de imprensa, é verdade, fazem-nos recordar, mais do que gostaríamos, que estamos sob um protectorado e que a margem de manobra do Governo é necessariamente limitada.

O estilo dos 'funcionários da troika' é uma questão menor. E nem sequer vale a pena tentar humilhar os técnicos que integram a 'troika', porque são de "quinta ou sétima linha". Porque, na verdade, estão a monitorizar a execução de um programa que o anterior Governo, e os partidos que sustentam o actual, assinaram. Portanto, ao contrário do que parece, as conferências da 'troika' não são 'o' problema. Aliás, se a avaliação da 'troika' ao programa português fosse negativa, provavelmente, muitos estariam a elogiar as conferências de imprensa que nos revelariam o que o Governo e a maioria parlamentar não estariam a fazer.

As críticas às conferências da 'troika' são, assim, uma crítica à forma, e não à substância. Fica um exemplo: a 'troika' sugeriu que o sector privado deveria seguir o mesmo exemplo do sector público nos cortes salariais. A sugestão resulta da identificação de um problema crónico da economia portuguesa, que é a perda de competitividade, reconhecida por todos. E que é, verdadeiramente, o nó górdio estrutural que tem de ser ultrapassado.

Caiu o Carmo e a Trindade porque 'os funcionários da troika' não têm legimitidade democrática para sugerirem estas medidas, porque são de "quinta ou sétima linha". Ora, a questão deveria ter sido outra, e sobre isso gostaria de ouvir Fernando Ulrich: como é que as empresas portuguesas podem diminuir os custos unitários de trabalho que, na última década, subiram mais do que a produtividade do País? Para quê? Para conseguirem vender no exterior os seus produtos ou em Portugal face à concorrência de produtos estrangeiros.

A produtividade não vai aumentar por magia, de um mês para o outro, e são necessárias reformas estruturais que vão demorar tempo a produzirem efeitos. Por isso, surgiu a descida da Taxa Social Única (TSU), uma medida de desvalorização fiscal, que servia para descer os custos das empresas e para aumentar a competitividade da economia. A medida ficou pelo caminho, porque não havia forma de financiar o seu custo. Mas o problema continua por cá...

publicado por concorrenciaperfeita às 20:09
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