Domingo, 27 de Novembro de 2011

A Yahoo, os negócios e a China

Enquanto a zona euro está mergulhada numa crise económica e política, que parece não ter solução à vista, do outro do lado Atlântico, nos EUA, discutem-se negócios e o controlo de grandes empresas, leia-se a criação de riqueza. A Yahoo - que, em tempos, foi líder mundial - atravessa uma crise, despediu a presidente executiva, Carol Bartz, e está à procura de um novo rumo, o que abriu uma nova 'corrida' pelo controlo da companhia, entre chineses e norte-americanos.
A história é simples de contar: pelo menos desde 2008, ano em que a Microsoft fez uma oferta pela Yahoo, por 33 dólares por acção, e que foi rejeitada, a empresa fundada por Jerry Wang entrou em declínio acelerado. As acções caíram para os 14,9 dólares e a Yahoo perdeu terreno para a Google e para o Facebook. É neste contexto que a principal empresa de e-commerce chinesa, a Alibaba, apresentou uma oferta pela Yahoo. O que foi seguido, desde logo, por um conjunto alargado de empresas norte-americanas, nomeadamente fundos de investimento, e também pela próprio Microsoft.
A Yahoo continua, ainda assim, a ser uma empresa estratégica, e é por isso tão disputada: porque está no (ainda) maior mercado de comércio electrónico do mundo, porque a empresa continua a ter mais de 700 milhões de visitas por mês em todos os seus sites e porque, desde há cerca de dois anos, tem um acordo estratégico com a Microsoft, particularmente através do motor de busca Bing.
Na prática, sem nunca o ser afirmado publicamente, os norte-americanos não querem ter uma companhia como a Yahoo controlada por capitais chineses, mesmo que sejam, como é o caso, capitais privados. E percebe-se, na sua perspectiva, a opção estratégica.
Serve esta história para pôr em cima da mesa o processo de privatizações português e, particularmente, da EDP, que, como se sabe, tem um candidato alemão, dois brasileiros e um chinês. O Governo tem deixado saber, oficiosamente, que vai vender a quem oferecer o melhor preço, sem mais. Ora, se assim for, faz mal.
O ministro Vítor Gaspar, o mais ideológico dos ministros das Finanças dos últimos anos, quer aproveitar as privatizações para 'levantar' dinheiro no mercado internacional e, também, para incentivar uma mudança do nosso regime económico, com mais concorrência e até com outros accionistas. O Estado deve sair das empresas onde tem participações, isso é claro. Mas não deve sair por qualquer preço, nem sequer pelo melhor. Deve ter em conta os interesses estratégicos do País, e da economia, da EDP e até de todas as outras empresas portuguesas.
publicado por concorrenciaperfeita às 22:35
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