Terça-feira, 6 de Novembro de 2012

Quem dá ‘rating’ às agências?

A zona euro vive uma semana absolutamente crítica, é verdade, mais uma, numa espécie de contagem decrescente para um outro regime, mesmo que seja com a sobrevivência da moeda única. Porque é isto que está, por estes dias, em causa. Mas faltava, claro, a acção de uma agência de ‘rating’ para tornar tudo muito mais difícil. Faltava, mas não faltou porque a norte-americana Standard & Poor’s voltou a fazer das suas.

Desde há dois anos a esta parte, sempre que há uma hipótese, a insinuação de uma solução para a crise europeia, as agências de ‘rating’ vêm explicar o que já sabemos. No pior momento possível. Foi o que fez ontem a S&P quando colocou sobre observação negativa seis países que integram um informal núcleo duro do euro.

Vamos lá ver: as agências de ‘rating’ são necessárias, porque são as suas avaliações que nos permitem medir os riscos dos nossos investimentos; mas as agências de ‘rating’ têm de ser independentes, e credíveis. E, hoje, não são. Os pontos assinalados pela S&P são pertinentes. A incapacidade das autoridades políticas europeias, leia-se da dupla ‘Merkozy’, é exasperante e insuportável. Porque todos estão a ver a degradação crescente da situação da moeda única e do próprio projecto europeu. Mas, isto já era verdade há um mês, há dois meses, pelo menos desde a última cimeira decisiva, e que acabou por não o ser.

Pelo contrário, a emergência da crise – e a convicção de que alguma coisa terá de ser feita até sexta-feira sob pena de o euro acabar, cenário impensável há seis meses – levou a senhora Merkel a dar um passo em frente. Mais integração fiscal, mesmo sem as eurobonds, maior partilha de soberania, um outro Tratado que será, na prática, uma refundação do euro. Não vale a pena olhar para trás, apenas se isso servir para não se cometerem os mesmos erros.

É, precisamente, nesta semana que a S&P decide pôr tudo em causa, mostrar desconfiança e lançar outra vez o pânico nos mercados que, desde há uma dúzia de sessões, apresentavam as melhores evoluções desde a crise de 2008. Pior, a S&P acabou por destruir (definitivamente?) o Fundo de Estabilidade Financeira, um braço financeiro que é suportado pelos países que têm o ‘rating’ AAA para ajudar o euro. Não há coincidências. A S&P transformou-se num actor político.

A acção da S&P é, obviamente, deliberada, mas duvido que os objectivos sejam bondosos. Porquê? Porque haveria outro caminho, outra forma e outro momento para pressionar um acordo dos líderes europeus e, particularmente, a Alemanha e a França.

A Comissão Europeia diz que vai investigar as agências de ‘rating’. Esperemos, todos, que seja mais eficaz do que é a promover soluções e acordos que nos tirem da crise.

publicado por concorrenciaperfeita às 12:17
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