Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Emigrar? Já! Para, depois, regressar

Pedro Passos Coelho aconselhou os professores desempregados a procurarem emprego no estrangeiro. E caiu o Carmo e a Trindade, porque o primeiro-ministro baixou os braços e não tem projecto para o País. A crítica erra o alvo.

A fórmula encontrada por Pedro Passos Coelho não é a melhor, o estilo de 'conversa de café' não fica bem a um primeiro-ministro, especialmente quando o País enfrenta uma crise e tantas centenas de milhares de portugueses o desemprego, porque não são só os professores que estão em causa. Mas o que disse é absolutamente verdade. Portugal tem centenas de milhar de licenciados - e não necessariamente de professores - que não têm as competências necessárias para o mercado de trabalho que temos, menos ainda para o mercado de trabalho que precisámos de ter. Portanto, das duas, uma: ou as competências e habilitações mudam, ou o mercado não os vai absorver. E, neste caso, há mercados - e países - que podem ser alternativos.

Portugal tem uma tradição de emigração e, agora, talvez mais do que em qualquer outro momento da história, pode ter uma emigração qualificada, que vai competir pelos melhores empregos em economias emergentes ou desenvolvidas.

Exige-se, do Governo, é claro, que crie as condições para que os candidatos a emigrarem tenham acesso verdadeiro e em condições de concorrência nos países que são hoje captadores de mão-de-obra qualificada. Por exemplo, ao nível dos vistos. Aqui está uma política de Estado, que contribuirá para uma emigração qualificada.

Dito isto, o problema não é, assim, o desafio, desajeitado, de Pedro Passos Coelho. Porque, neste momento, não há alternativo a isso: desemprego de um lado, emigração de outro.

A questão, fundamental, é saber se o Governo terá as políticas necessárias para aproveitar o conhecimento, a experiência, o mundo dos emigrantes, os que já são e os que terão de ser.

 

PS: António Mexia foi o melhor presidente que a EDP poderia ter tido nos últimos anos. Porque ousou e arriscou pensar mais longe do que as fronteiras do País, porque foi para o Brasil e Estados Unidos, mercados onde não teríamos, à partida, grande capacidade de concorrência. Foi isso que fez a diferença e tornou a EDP numa multinacional portuguesa, cobiçada por gigantes mundiais, e não as tarifas de electricidade no mercado português. Goste-se ou não do estilo - e eu gosto -, a sua competência é inquestionável e, por isso, seria trágico para o País que as críticas que lhe são dirigidas fossem apenas uma forma de justificar a sua demissão da presidência da empresa, agora que termina o seu mandato.

publicado por concorrenciaperfeita às 12:18
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