Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

O bailinho está a acabar

O País assistiu ontem, incrédulo, a mais uma actuação de Alberto João Jardim. O presidente do Governo da Madeira anunciou um verdadeiro choque fiscal para a região – um plano de austeridade provavelmente mais duro do que aquele que é conhecido para o Continente – com a leveza de quem agora chegou. Mas, para memória futura, o início do fim de João Jardim começou ontem.

A realidade é, sempre, mais dura, mais resistente, mais teimosa do que o melhor dos discursos, a melhor das comunicações. Alberto João Jardim não só levou a Madeira para uma situação de protectorado – em que a autonomia regional é apenas um eufemismo – como vai ter de governar em austeridade, o que não deixa de ser um castigo irónico.

É por isso mesmo que os madeirenses que votaram nas últimas eleições em Alberto João Jardim já conheciam o descalabro das contas e, pior, os estratagemas para ocultar dívida acumulada, vão ser os seus maiores críticos. A Democracia é isto, não olha ao passado, valoriza o presente e teme o futuro. Jardim aguentou uma ilha – e fê-la crescer - utilizando os recursos que tinha e os que não tinha. E beneficiou da complacência e cumplicidade de sucessivos governos por razões estritamente partidárias. E não foi apenas por um Governo PSD. Valha a verdade, apenas o ex-ministro Teixeira dos Santos foi capaz de dizer não ao presidente da Madeira, e isso até lhe valeu processos em tribunal.

Agora, Jardim vai viver outra realidade, ou melhor, a realidade. Porque os seus eleitores vão sofrer já a partir do próximo ano um agravamento fiscal sem paralelo, mesmo comparando com as medidas de austeridade que estão previstas para o Continente nos próximos dois anos. Porque o ajustamento tem de produzir efeitos visíveis já em 2012 e porque se um dos males do País é a dependência do Estado, na Madeira só existe governo regional. Mas não vai ter os meios, o orçamento, para compensar estes impactos que, infelizmente, obrigarão a um empobrecimento brutal da região. Só o IVA aumenta seis pontos em apenas um ano.

O plano – que ainda não se conhece em toda a sua extensão – não é mau nem bom, é o possível, diz Alberto João Jardim. Também não é isso, é o plano necessário para garantir que os desvarios da Madeira são pagos pelos madeirenses, como prometeu o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

publicado por concorrenciaperfeita às 07:19
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