Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Governo está a meter água

As nomeações da ministra Assunção Cristas para a administração da empresa Águas de Portugal são um regresso ao pior do passado, à captura das empresas públicas por parte de interesses partidários e, pior, minam a credibilidade do Governo e de Pedro Passos Coelho para impor uma agenda de austeridade absolutamente necessária para sairmos da crise.

O primeiro-ministro, é preciso recordá-lo, ganhou as eleições a José Sócrates garantindo que não estaria disposto a nomear os amigos político-partidários para funções na Administração Pública ou nas empresas controladas pelo Estado, mas as nomeações de Manuel Frexes (PSD) e Manuel Castelo Branco (CDS) para a Águas de Portugal, no mínimo, enganam bem.

Sejamos claros: há muita demagogia em torno das críticas recentes às nomeações do actual Governo. Porque cada caso é um caso e as generalizações são, sempre, fáceis e perigosas. Em primeiro lugar, é preciso fazer a distinção do que são empresas públicas, como a Caixa Geral de Depósitos e a Águas de Portugal, de privadas, como a EDP. E, depois, é necessário perceber que competências têm cada um dos nomeados antes de apelos moralistas e críticas falsas.

As recentes críticas ao Governo apontam, nomeadamente, para a promiscuidade entre a política e as empresas, mas esta visão faz dos antigos políticos e ministros autênticos cadastrados, que não poderão voltar a exercer qualquer função relevante nas empresas. Nogueira Leite, ex-secretário de Estado, professor catedrático e gestor, não tem curriculum para ser vice-presidente da CGD? Então, quem tem? Eduardo Catroga, ex-ministro, gestor de banca e indústria, não pode ser presidente do Conselho Geral da EDP? Mas, os críticos desconhecem que Catroga já estava neste órgão social há seis anos, como vogal?

O Governo, é certo, não geriu bem estes processos, especialmente porque fez do 'não' aos boys uma bandeira política. O caso da Caixa, então, é paradigmático de um processo que prejudicou o Governo, o banco público e, ainda por cima, pôs em causa as qualidades e perfil de cada um dos indicados. Deveria ter aprendido a lição, mas não aprendeu. E, na EDP, onde mantém uma participação minoritária, o governo deveria ter garantido que as escolhas dos accionistas privados seriam à prova de bala. E a verdade é que não são. Por exemplo, a escolha de Celeste Cardona - uma entre 23 nomes, muitos dos quais, é certo, transitaram do anterior mandato, formado no período de Sócrates - faz juz ao ditado "às vezes o que parece, é".

O Governo já foi capaz do melhor nesta matéria: O ministro Miguel Relvas, considerado por muitos o 'homem do partido' no Governo, manteve na RTP uma administração competente, liderada por Guilherme Costa, que tinha sido nomeada por um Governo socialista. Mas fez, na Águas de Portugal, o pior. Porque as nomeações de Assunção Cristas para a Águas de Portugal revelam escolhas, uma do PSD, outra do CDS, sem curriculum, experiência e competência para a gestão de um grupo empresarial que tem 42 empresas, vale mil milhões de euros e tem de se preparar para um processo de privatização. 

O Governo meteu água nestas nomeações, mas Pedro Passos Coelho ainda está a tempo de tapar este rombo.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:36
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