Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

O dono que faltava

O Millennium bcp tem a partir de hoje um novo presidente-executivo, Nuno Amado, e tem, pela primeira vez na sua história, um dono que manda, a Sonangol. Para memória futura, faz toda a diferença. O maior banco privado português arrasta-se, há pelo menos dez anos, umas vezes melhor, outras pior, por motivos internos e externos à sua gestão e aos seus accionistas. A sua história recente, desde a guerra entre Jorge Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto, ainda está por escrever. Sabe-se pouco, e o pouco que se sabe revela a influência de um Governo, e de Sócrates, numa solução de emergência para tentar salvar o banco. E uma transferência da gestão da CGD para o BCP, que acabou por adiar o inevitável. Um banco, como uma empresa, tem de ter uma de duas condições para sobreviver e vencer: um dono forte ou uma liderança forte. E no Millennium  bcp não foi possível garantir nenhuma das duas.

Carlos Santos Ferreira foi o melhor presidente possível, mas era impossível fazer melhor. Porque atravessou uma crise sempre cedentes, e porque respondia a vários donos, quase todos capitalistas sem capital e que usaram o banco para as suas guerras, em outras empresas e com outros interesses. Historicamente, Jardim Gonçalves conseguiu ser esse líder, e ‘matou’ qualquer pretensão de um só dono. Acabou no dia em que o próprio saiu da presidência executiva e quando se percebeu que, na Malhoa, não havia ‘rei nem roque’.

A entrada de Nuno Amado é uma oportunidade para o BCP pôr termo à monocultura financeira em que o país vive, dependente, para tudo, do BES e sobretudo de Ricardo Salgado. É uma oportunidade pela sua competência, e pelo facto de, pela primeira vez, um accionista assumir o seu papel de ‘dono’, com capital.

A Sonangol, que tem cerca de 15% do banco, tem mais capital, leia-se acções, e tem dinheiro. É mau? Foi o que valeu ao longo de 2011 e o que pode ser crítico para atrair novos investidores para o banco. Os accionistas portugueses, esses, têm menos capital, e nenhum dinheiro. Pelo menos agora, não voltaremos a ver um qualquer accionista a festejar os resultados de uma assembleia-geral como se de um jogo de futebol se tratasse. Porque ‘isto’ não é um jogo, apesar do que se viu na última década. Já não há dinheiro para isso, e ainda bem.

Para Nuno Amado, não haverá os equilíbrios que se pressentiram nos últimos anos. O faz–de-conta que todos mandavam, mas havia um que mandava mais do que os outros. Agora, não, agora manda um, o que tem mais votos, e obedecemos outros, os que têm menos. É assim nas democracias, e uma assembleia-geral é a Democracia do Capital. Nesta, aqui ou em Angola, manda quem tem votos e quem tem, além disso, dinheiro.

Amado constituiu uma equipa que não é apenas sua, é também do accionista Sonangol. Tem uma vantagem, não há equívocos, nem ambiguidades. A responsabilidade do sucesso – ou insucesso – será de Amado e do accionista que manda. Portugal ensaiou uma ofensiva diplomática em Angola mais relevante do que qualquer missão empresarial. O ‘Prós e Contras’ em Luanda, com Miguel Relvas e a elite política angolana, deu barulho em Portugal, sobretudo por uma gestão danosa de um programa de rádio, mas cumpriu os objectivos: Angola pode assumir, pela primeira vez, o poder que tem no BCP em Portugal. É aproveitar agora, porque, no momento económico e financeiro do País, mais relevante do que os centros de decisão do capital, são os centros de decisão da gestão. E, no caso do BCP, vai sair do Porto, mas vai ficar em Lisboa.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 17:57
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