Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Um golo na própria baliza?

Os clubes de futebol, como se suspeitava há anos, não cumpriram o acordo assinado com o Estado para o pagamento das suas dívidas fiscais, o conhecido Totonegócio. Por responsabilidade dos outros, claro, não dos clubes de futebol que foram, como se sabe, austeros, conservadores e rigorosos na gestão das suas contas, nas contratações e nos salários, nos projectos imobiliários que eram a resposta milagrosa para todos os problemas... Claro, no mundo da fantasia, não a futebolística, que é bem-vinda, mas financeira.

O novo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, diz, e acredita no que diz, que os clubes cumpriram o acordo e pagaram o que deviam. Mas há um ‘por maior’: o Estado reclama cerca de 33 milhões de euros de 88 clubes que estão em dívida. Portanto, os clubes pagaram o que devem, mas há uma dívida. Confusos?

Num aspecto, Fernando Gomes tem razão. O Totonégócio é, ele próprio, o pecado original, porque foi estruturado de tal forma que é possível hoje dizer, como no ditado popular, que ‘todos ralham e ninguém tem razão’.

Em 1999, quando os clubes de futebol assinaram um acordo com o Governo de António Guterres, uma espécie de acordo especial no quadro do então chamado Plano Mateus, comprometeram-se a pagar as suas dívidas acumuladas até então, de cerca de dez milhões de contos (50 milhões de euros) com base nas receitas futuras do totobola. Mas houve, claro, uma sobreavaliação destas receitas, como houve, sucessivamente, e com todos os governos, uma subavaliação das dívidas que, entretanto, se acumularam novamente.

O Totonegócio foi a expressão de uma relação promíscua entre o mundo do futebol e do poder político, que não abona em favor de nenhum dos dois. O futebol está longe de ser apenas um entretenimento para desanuviar da crise financeira, económica e social do País, é uma indústria relevante para a economia portuguesa. E que deve ser promovida como tal.

Mas, isso não pode nem deve corresponder a um tratamento de favor. Exige-se que os clubes de futebol façam, como os outros sectores de actividade, um ajustamento no seu nível de vida e que, mais do que isso, paguem o que devem a tempo e horas. Os clubes de futebol devem ser tratados como qualquer outra empresa e, nesse sentido, podem, se o entenderem, beneficiar dos programas que os governos, este ou outro, promovam em matéria de recuperação de empresas. Mas apenas isso.

O ministro do Desporto, Miguel Relvas, já disse publicamente que os clubes de futebol não terão um tratamento de favor. É o mínimo que se exige a um Governo que está a aplicar o maior e mais brutal programa de austeridade de que há memória. E, por isso, não é aceitável que o Estado volte a perdoar os clubes de uma exigência fiscal, com base no argumento de que não fez o que deveria fazer para promover o Totobola.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:40
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Março 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
15

16

24
25
27
28
29

30
31


posts recentes

Salgado recupera a espera...

A política destrói valor

Porque é que Cravinho ass...

Em inglês não soa melhor

A palavra de Cavaco

Uma mão cheia de nada

Acordo para uma saída cre...

Carta aberta ao 71º subsc...

O plano P, de Parlamento

Um acto falhado

arquivos

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

blogs SAPO

subscrever feeds