Terça-feira, 27 de Março de 2012

Casamento de conveniência na Galp tem os dias contados

Os accionistas da Galp estão muito longe de serem uma família feliz, apesar dos resultados, da valorização em bolsa e dos sucessivos poços de petróleo e gás que, semana após semana, vão sendo anunciados. Vivem, antes, um 'casamento de conveniência', insuportável, que está preso por um acordo parassocial que termina em 2014 e que junta Américo Amorim, os italianos da Eni, os angolanos da Sonangol e Isabel dos Santos e o próprio Estado, através da Caixa Geral de Depósitos. Até quando?

A radiografia é fácil de fazer: a Eni é um accionista que se sente a mais numa estrutura de capital em que tem a mesma posição do que a Amorim Energia - controlada por Américo Amorim - mas não tem o mesmo poder. Quer sair, e não é de hoje, quer vender, mas a um preço justo. E, até agora, não houve um entendimento entre os accionistas para que isso fosse possível.

Nas últimas semanas, o Diário Económico revelou que a Eni estaria a negociar em duas frentes, com Américo Amorim e com a Sonangol, outro dos sócios da Amorim Energia. Com a monitorização do Estado que, sabe-se, tem a obrigação de sair da Galp, através da venda da posição 'dourada' de 1% que está na posse da Caixa Geral de Depósitos.

A Galp tem uma gestão competente, Manuel Ferreira de Oliveira tem sabido gerir um equilíbrio fino, e difícil, mesmo sob as críticas da Eni e dos angolanos, que o acusam de trabalhar para um único accionista. Fez uma operação impossível em Novembro do ano passado, quando vendeu, em plena crise financeira, 30% do capital da Galp no Brasil aos chineses da Sinopec por 3,8 mil milhões de euros, o que dá um fôlego financeiro para os próximos anos. E beneficia, claro, de a Galp ter um perfil de actividade longo, cujos resultados decorrem de decisões e de investimentos com anos. E isso tem permitido esconder o custo de oportunidade de a maior empresa portuguesa em bolsa estar há mais de um ano em gestão corrente, porque as desavenças entre accionistas impedem que se chegue a um acordo em torno do presidente-executivo. E, até, como já é público, do 'chairman' proposto pela CGD, como é da sua competência: Freitas do Amaral.

A viagem de Vítor Gaspar a Luanda nos últimos dois dias poderá trazer alguma luz sobre um processo que se arrasta há anos. Desde logo, revela que o Governo, e bem, quer arrumar a casa antes de sair. E está a forçar um entendimento que permita clarificar a estrutura accionista, por um lado, a gestão, por outro, e finalmente a estratégia. O fim do acordo parassocial em 2014 ajuda a 'sensibilizar' os accionistas para a necessidade de um acordo a bem. No dia seguinte ao fim do acordo, todos podem perder.

Há um ponto que é claro, qualquer que venha a ser o entendimento: a Galp vai passar de quatro accionistas de referência para dois. O Estado vai ter de sair a médio prazo, os italianos vão sair no curto prazo, Américo Amorim vai reforçar o seu peso e os angolanos vão ter, como sempre quiseram, uma participação directa na empresa.

Américo Amorim afirmava em Janeiro de 2010 que não precisa de 50% da Galp Energia para mandar, e é verdade, porque o homem mais rico de Portugal tem sido de facto o accionista de referência da empresa. E, neste quadro, passará a ser de facto e de direito. Quase sempre, as soluções mais simples são as melhores, haja capital para isso.

 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 21:22
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