Quarta-feira, 7 de Março de 2012

O ‘bluff’ de Vieira

Luis Filipe Vieira recusou ontem uma proposta de 111 milhões de euros da Olivedesportos por cinco anos de transmissões televisivas. A posição de força do presidente do Benfica – no mesmo dia em que passa aos quartos-de-final da Liga dos Campeões e encaixa mais 3,3 milhões de receita – é apenas um ‘bluff’ ou Vieira quer pôr em causa um sistema que envolve não só Joaquim Oliveira como as principais empresas de telecomunicações, a PT e a Zon?

O Benfica, sabe-se, é talvez a marca mais valiosa em Portugal e por isso a renovação do contrato de direitos televisivos com a Olivedesportos é tão relevante e tem impactos diversos. Desde logo no monopólio de Joaquim Oliveira, um homem que conhece como ninguém o mundo do futebol e que tem sido, em momentos diferentes, o FMI dos clubes portugueses. De todos. Mas os conteúdos desportivos, e o futebol em particular, são os decisivos para fazer a diferença entre operadores de televisão. Não é por acaso que a PT bloqueou a distribuição da Benfica TV à sua maior concorrente, e (ainda) líder de mercado, a Zon.

Como funciona hoje o sistema? A Olivedesportos de Joaquim Oliveira compra os direitos televisivos dos clubes – e tem de todos os da primeira e segunda liga – e depois vende-os à Sport TV, uma sociedade que controla Em conjunto coma Zon. A Sport TV, por seu lado, é um canal pago e que está em todas as distribuidoras. Há, por isso, uma guerra que é clara: a PT e o Benfica, de um lado, e a Olivedesportos e a Zon, por outro, alinhamentos que, apesar de tudo, têm sido geridos num equilíbrio fino e difícil.

Joaquim Oliveira conseguiu uma posição única neste mercado, por mérito próprio e fragilidades alheias. E só o Benfica tem condições, efectivamente, para pôr este domínio emcausa. Mas, para isso, precisaria sempre de um parceiro que, no quadro nacional, seria a PT.

Zeinal Bava já garantiu um milhão de clientes, estará disponível a pagar mais 25 milhões por ano para captar mais umas centenas de milhar? A verdade é que Oliveira já demonstrou que sabe exactamente o que está a fazer. Em primeiro lugar, arrumou com País do Amaral, a carta que Vieira andou a tentar jogar nos últimos meses para o pressionar. E, depois, passou das palavras aos actos, e pôs 111 milhões de euros em cima da mesa.

O actual contrato entre a Olivedesportos e o Benfica termina no final da próxima época desportiva e, por isso, Vieira está a tentar pressionar um acordo – e um envelope de 25 milhões de euros por ano – que teria implicações financeiras no dia seguinte à assinatura do contrato. Mas, o Benfica não tem alternativas. Ou tem: a Olivedesportos ou a Olivedesportos. Ou perder dinheiro, coisa que Vieira não fará.

Luis Filipe Vieira está condenado a entender-se com Joaquim Oliveira. E os 15 jogos do Benfica ‘em casa’ vão continuar a passar na Sport TV por mais cinco anos. Porque não há mercado, porque mesmo uma marca como o Benfica tem de ajustar-se à realidade que é a portuguesa, hoje, em regime de protectorado. Porque, como ficou provado com o falhanço de Pais do Amaral, é preciso dinheiro e fôlego financeiro para aguentar um negócio que é, mais do que se pensa, de capital intensivo. E que só a Olivedesportos conhece ao ponto de o rentabilizar.

publicado por concorrenciaperfeita às 21:51
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