Quarta-feira, 21 de Março de 2012

Ainda não chegámos a meio da ponte

O “Financial Times” publica anualmente o ‘ranking’ dos ministros das Finanças da zona euro, com base em critérios como a política, a economia e a estabilidade. Vítor Gaspar sonha vir a ser o primeiro neste ‘ranking’, quando, e se, Portugal regressar aos mercados, mas, convém lembrar, ainda não chegámos a meio da ponte.

A emissão de cerca de dois mil milhões de euros de dívida pública que o Governo realizou ontem - bem sucedida e, efectivamente, uma inversão clara e inequívoca da forma como os mercados estão a percepcionar Portugal e o programa de ajustamento – contam apenas uma parte da história. Foram emissões e bilhetes do tesouro, sem risco de ‘default’, e a 12meses, leia-se, a curto prazo. A outra parte da história, que começa literalmente a meio da ponte a que Gaspar reconhece ainda não termos chegado, diz-nos que este sucesso, que é importante não desvalorizar, resulta directamente da actuação do Banco Central Europeu nos últimos meses e nas operações de cedência de liquidez à banca a prazos a três anos.

Há um contexto externo favorável à disponibilidade dos investidores para tomarem riscos, que a execução do programa de ajustamento ajuda, mas que pode desvanecer-se de um dia para o outro.

Vítor Gaspar anda pelo mundo, e bem, a vender não só uma estratégia, uma convicção. E resultados, os possíveis, após três exames da ‘troika’. A reportagem de Maria João Avillez sobre o ‘roadshow’ de Vítor Gaspar a Frankfurt, o regresso a casa oito anos depois – a não perder – que o Diário Económico publicou esta semana (ver edição de 20 de Março) é o melhor retrato de que o ministro das Finanças acredita no caminho que está a seguir. E que não vai deixar-se abalar, mesmo que alguns resultados, como o desemprego e a recessão económica, saiam das suas projecções. E já saíram, porque o desemprego vai superar os 15% de forma clara e porque a recessão vai atingir os 4% em2012,

e os números, a pecar, só por defeito.

Mesmo assim, o programa de ajustamento está a ser bem sucedido, e de forma mais rápida do que o definido com a ‘troika’, diz Gaspar, provavelmente o mais ideológico ministro das Finanças da história recente do País. Porquê? O ministro das Finanças tem na cabeça, a régua e esquadro, um ajustamento, ou um empobrecimento, como caminho para redenção. Avillez pergunta, na mesma reportagem, se Gaspar tem a consciência de que desempenha, neste momento, o principal papel político em Portugal.”Certamente que não. O Governo é liderado por Passos Coelho”, era a única resposta possível, mas uma meia-verdade. E não há nada de mal nisso, pelo menos enquanto Passos Coelho e Gaspar pensarem do mesmo modo. A forma como o ministro deambula pelos corredores do poder económico e financeiro internacional, pelas principais praças mundiais e centros de influência como Londres, Frankfurt ou Washington, e, sobretudo, como é recebido, revelam o seu lugar, e o seu peso, no regresso de Portugal aos mercados, agendado, e este é o termo, para Setembro de 2013.

Para lá chegar, e para ser o melhor ministro das Finanças da zona euro no ‘ranking’ do “Financial Times”, Vítor Gaspar vai precisar de percorrer a ponte toda.

publicado por concorrenciaperfeita às 22:24
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