Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Os mistérios de Belém

Os textos do Presidente da República, na substância e na forma, começam a transformar-se em mistérios difíceis de interpretar, mesmo lidos e relidos, analisados, pormenorizados e esmiuçados, na íntegra, como pede o próprio. Já o pedido encerra, em si mesmo, o reconhecimento de que a mensagem, se calhar, não passou, o que diz bem da dificuldade dos portugueses, até dos politólogos especialistas em ‘cavaquês’, em perceberem o que Cavaco Silva pretende.

Cavaco Silva decidiu dedicar o prefácio dos ‘Roteiros’ ao primeiro ano do segundo mandato, nada mais natural, como fizeram os seus antecessores. Mas, a verdade é que o dedicou aos primeiros três meses deste segundo mandato e, valha a verdade, aos dois anos anteriores. Para acusar José Sócrates de ocultação de informação e de deslealdade institucional. Motivos que, na opinião do Presidente, violaram a Constituição. Motivos, ainda assim, insuficientes para o Presidente demitir o primeiro-ministro. Apesar do artigo 201ºdaConstituição.Emque ficámos?

A fazer fé nas palavras de Cavaco Silva, estava em causa o regular funcionamento das instituições democráticas ou, em alternativa, o que sobra para justificar tal decisão? Uma tentativa de golpe de Estado, como sugere Marcelo Rebelo de Sousa? Não haverá um decisor, um gestor, um empresário, mesmo dos que subscrevem, na íntegra, o texto de Cavaco, que perceba porque é que o Presidente decidiu ‘enriquecer’ o debate político desta maneira. E nesta altura. Já deveria ter sido feita, antes das eleições de 5 de Junho, ou só poderia ser feita quando Cavaco terminasse o seu mandato. O regresso do Presidente ao tema, ontem, em pleno exercício da função de Chefe de Estado Supremo das Forças Armadas, só pode suscitar perplexidade.

Cavaco Silva não estará de bem com a sua história ou com a história do País? Lamenta o fado a que nos condenaram ou a percepção de que os portugueses já se esqueceram dos seus alertas? O Presidente voltou a ser apenas Cavaco Silva, e Cavaco não resistiu à tentação de fazer um ajuste de contas, e, humano como é, revelou não ter digerido ainda a campanha – negra, no seu entender - sobre o

caso BPN durante a campanha eleitoral para as presidenciais.

Aliás, está já prometido um novo prefácio, especificamente sobre as eleições. Isto promete…

Vou repetir-me: o País não está para brincadeiras, Cavaco, aliás, continua a lembrar-nos que bem avisou e ninguém o ouviu. Não estamos livres de viver um dra (c)ma grego, longe disso, e é evidente que o País precisa de estar unido. O Presidente poderia e, provavelmente, deveria ter

dividido quando avaliou o comportamento do anterior primeiro-ministro, não poderia, nem pode, dividir agora.

Uma divisão que cria problemas a toda a gente, a começar por António José Seguro que, um dia destes, pode ser chamado a subscrever um pacto de regime promovido… por Cavaco Silva.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 22:36
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