Segunda-feira, 2 de Abril de 2012

Quando a mão visível mata o mercado

 

 A Caixa Geral de Depósitos está, publicamente, transformada numa direcção-geral do ministro das Finanças Vítor Gaspar. Já era de facto, mas pressa - em 26 minutos !? - a responder positivamente a uma oferta pública da Camargo sobre a Cimpor a 5,5 euros por acção, sem discutir o preço, torna-a de direito. Só falta mesmo ser de Direito. Pior, a intervenção do Governo na decisão da CGD numa oferta em bolsa tem um problema ainda mais fundo: põe em causa tudo o que nos diz, este governo, sobre o mercado, particularmente, o mercado de capitais.

Sabe-se, a banca não tem dinheiro disponível para emprestar às empresas, o que tem está a um preço proibitivo para qualquer negócio, porque não existem hoje projectos com rentabilidades de 8,9 ou 10%. A resposta passa, também, pelo mercado de capitais. Mas para isso, há um 'pormaior'. São necessários investidores, grandes e pequenos, que estejam dispostos a emprestar às empresas cotadas, porque é disso que se trata. E há outra condição: os investidores, grandes e pequenos, actuam com base na confiança e na credibilidade da gestão das empresas e das autoridades de cada mercado.

A liquidez da bolsa portuguesa já é miserável, 'per si' e quando comparada com a de outros mercados, como o espanhol, por exemplo. É preciso uma dose de confiança enorme para fazer aplicações em Portugal e, por isso, as maiores empresas são obrigadas a pagar um prémio - através de dividendos - para garantir a atenção dos fundos internacionais. Porque, ao contrário do que possam pensar algumas mentes, iluminadas, Portugal não é um "must have market". O caso Cimpor só serve para confirmar esta ideia.

Um Governo com uma mão visível, através da Caixa, no mercado de capitais é tudo o que as empresas portuguesas dispensam. Mais ainda, de um governo que tem Vitor Gaspar e António Borges e 'vende' um projecto, uma ideologia... A mão invisível é necessária, sim, mas quando são os "outros" no Governo.

A Caixa - e Faria de Oliveira - recusou uma oferta de 6,18 euros por acção há dois anos, garantiu que entrava na maior empresa industrial portuguesa para defender os centros de decisão nacional e, com isso, criou expectativas, particularmente junto dos pequenos investidores, que acreditaram no projecto que lhes foi vendido. Agora, sem mais, aceita 5,5 euros e garante o sucesso da OPA da Camargo Corrêa. E, depois, querem que os portugueses, e já agora, os estrangeiros, acreditem no mercado de capitais português? Eu não acredito.

 

PS: caro Dr. Carlos Tavares, a CMVM está a fazer alguma coisa para evitar este desastre, além de vigiar as notícias dos 'sites' dos jornais?

 

publicado por concorrenciaperfeita às 21:33
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