Domingo, 22 de Abril de 2012

A história da banca começou mesmo a mudar?

Os espanhóis (catalães) do CaixaBank compraram a posição dos brasileiros do Itau no BPI e já controlam mais de 48% do capital. A operação é de longo alcance, mesmo sem obrigação de uma OPA, e não só para o banco presidido por Fernando Ulrich. É o início de um movimento que vai necessariamente afectar outros bancos e transformar o sistema financeiro nacional.

O projecto de um Banco BPI independente, sem um accionista de referência, mas com três ou mais, mais ou menos com o mesmo peso no capital, que nasceu com Artur Santos Silva e foi continuado com Ulrich, está enterrado. Esse BPI já não existe e, no limite, podemos dizer que é uma instituição luso-espanhola, mas apenas porque a gestão é a mesma. Veremos durante quanto tempo.

O Caixa Bank conseguiu negociar com a CMVM uma operação que lhe permite mandar, mas não o obriga a lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA). Seguramente, blindado do ponto de vista jurídico, mas que não chega para esconder uma nova relação de forças dentro do BPI. O CaixaBank manda, e vai mandar mais do que revelam a blindagem de estatutos ou o número de administradores. Mais cedo do que tarde, o BPI será o CaixaBank BPI. É a vida, ou melhor, é uma clarificação que se tornava necessária quando Ulrich precisa de 1000 a 1400 milhões de euros de capital do Estado para cumprir os rácios a que os bancos estão obrigados. É, ainda assim, um bem maior. Saiu um grande banco brasileiro e um grande banco europeu decidiu reforçar. Outros não podem dizer o mesmo.

Fernando Ulrich não tem a cabeça a prémio, apesar de ter já feito o mea culpa pela exposição do banco à dívida grega, que tanto afectou as contas de 2011. O mandato actual só termina dentro de dois anos, mas, à semelhança do que a Sonangol fez com Carlos Santos Ferreira no BCP (a meio do mandato...), a relação vai passar a ser outra. De um lado e de outro. E, quando o momento chegar, a CaixaBank vai apresentar a sua factura.

A Sonangol, essa, está a negociar com o Governo a forma como o Estado vai entrar no capital do Millennium bcp. Com mais ou menos poder. Poderíamos dizer que dois Estados - português e angolano - estão a negociar o futuro do maior banco privado português. Ironia... E, dentro em breve, a estrutura de capital do BCP também vai mudar, esta claramente por causa da crise financeira.

O BES, esse, conseguiu escapar ao recurso do Estado, já terá garantido o sucesso do aumento de capital do Banco e da holding que o controla, e a família Espírito Santo continua a mandar, mas os equilíbrios e as relações de força dentro do próprio grupo familiar serão postas à prova neste novo quadro.

Temos, assim, para já: um banco público português, a Caixa, que Ulrich sugere que seja privatizado, um banco privado controlado por uma família, um banco angolano e dois bancos espanhóis (Santander Totta incluído, claro). O futuro do Estado português e dos bancos que estão a operar em Portugal - estou a falar dos maiores - está umbilicalmente ligado. Para já, com estas movimentações, e separação de águas, os bancos ficam mais fortes. E isso é uma boa notícia, indispensável, mas não suficiente, para sairmos desta crise. 

 

publicado por concorrenciaperfeita às 19:13
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