Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Um manual da crise portuguesa...

Miguel Cadilhe foi ontem à Comissão de Inquérito ao BPN e brindou-nos com uma lição sobre o estado a que chegámos, um verdadeiro manual da crise portuguesa. O ex-ministro das Finanças, reconhecidamente competente e seguramente um dos melhores que passou pela Praça do Comércio, ainda não digeriu a nacionalização do BPN, de que era presidente. Cadilhe tinha um projecto alternativo à nacionalização do banco de Oliveira e Costa. É legítimo, como foi legítima - e adequada perante a informação existente à data - a decisão de nacionalizar um banco que, como se sabe hoje, era um buraco (quase) sem fundo e que vamos todos pagar, com mais impostos. O antigo presidente do BPN tem razão num ponto: a reprivatização foi feita tarde e a más horas, com as consequências que se sabe, e por responsabilidade directa de Teixeira dos Santos e Carlos Costa Pina. A secretária de Estado Maria Luís Albuquerque, aliás, disse-o de forma singela. Não apareceu ninguém a oferecer mais do que 40 milhões de euros e a liquidação custaria ainda mais aos contribuintes. No entanto, Cadilhe propõe a pior das soluções, a menos transparente e que não pouparia um euro ao erário público. A integração do BPN na CGD seria acrescentar um problema ao problema que é hoje a Caixa, pior, seria esconder um problema debaixo do tapete, o que nos habituamos a fazer desde que somos uma Democracia. No Estado, nas empresas públicas, nas autarquias, nos bancos, enfim, no País. E que nos conduziu a três intervenções externas,a última das quais a mais brutal e mais difícil de suportar. …e um novo modelo económico A economia portuguesa revelou uma resiliência inesperada no primeiro trimestre do ano. Em plena execução do plano de ajustamento, um eufemismo para o empobrecimento, primeiro, e a mudança da estrutura económica do País, depois, os dados do INE são animadores. A economia nacional caiu 0,1% no primeiro trimestre em relação aos últimos três meses do ano e 2,2% face ao período homólogo do ano passado. É uma recessão, que vai prolongar-se ao longo deste ano, mas que evidencia duas realidades: as empresas portuguesas continuam a revelar capacidade para exportar e o consumo das famílias terá sido menos negativo do que o antecipado. Dito isto, o desemprego vai continuar a aumentar. E, provavelmente, já hoje, com os dados do Eurostat. Contraditório? Nem por isso. Ao contrário do que sucedeu nas duas intervenções do FMI, nas décadas de 70 e 80, o programa de ajustamento vai responder ao que todos, incluindo o PS, defendem. É necessário apostar nos sectores transaccionáveis e pôr um fim aos apoios e incentivos aos sectores protegidos. Mas esta estratégia só pode ter uma consequência no curto prazo: o desemprego. Porque muitos dos sectores e das empresas que foram sustentadas artificialmente não regressarão, pelo menos com o mesmo nível de emprego. Mesmo que a economia cresça. Claro, a tempestade internacional - que se arrisca a ser 'perfeita' com as novas eleições na Grécia e o caos em Espanha - poderá encarregar-se de tornar a austeridade ainda mais difícil. Porque nem mesmo a senhora Merkel e a economia alemã serão suficientes para mudar e segurar uma economia periférica que está a fazer o que tem de fazer.

publicado por concorrenciaperfeita às 23:16
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