Terça-feira, 29 de Maio de 2012

The smoking gun

 Diz a Wikipedia que a expressão inglesa "the smoking gun" aparece pela primeira vez em 1893 numa história de Sherlock Holmes e é uma referência a um facto que confirma a evidência de um crime. A decisão da CMVM de imputar à Camargo Corrêa os direitos de votos da Votorantin e da Caixa Geral de Depósitos na Ofeta Pública de Aquisição (OPA) sobre a Cimpor é a 'smoking gun' desta história. A OPA foi concertada e já o era antes de o ser.

A situação accionista da Cimpor, percebia-se há pelo menos dois anos, teria de ser resolvida mais cedo ou mais tarde. A convivência de dois concorrentes brasileiros - Camargo Corrêa e Votorantin - na estrutura de capital da Cimpor teria de ser revista. É preciso recordá-lo, os dois concorrentes entraram na Cimpor para evitar que um terceiro player brasileiro - a CSN - comprasse a empresa. Pelo meio, a Caixa Geral de Depósitos decidiu entrar no jogo da defesa dos centros de decisão nacional e, aproveitando a fragilidade financeiro de Manuel Fino, outro accionista da Cimpor, ficou com 10% do capital e fez um acordo com a Votorantin.

A Caixa não deveria ter entrado nesta guerra, como se percebe agora. A partir do momento em que travou a oferta da CSN, o que a Caixa conseguiu foi adiar a divisão da empresa, agora conhecida de acordo com os termos da proposta da Camargo. Umas fábricas ficam para mim, outras ficam para ti, poderia ser o lema. O contexto da crise económica e financeira do país e a necessidade de pôr termo às participações accionistas da CGD tornavam óbvia a necessidade de vender esta posição, mais cedo ou mais tarde.

O problema não é, por isso, este. O problema é outro, e bem mais grave. A administração da Caixa não teve qualquer papel ou decisão neste processo, limitou-se a aceitar, sem mais, as indicações de Vítor Gaspar e de António Borges, e embarcou num acordo com a Camargo a um preço de 5,5 euros por acção, menos o dividendo, que é considerado pela própria administração da Cimpor baixo e que não reflecte o valor da companhia.

Pior, como se pode constatar do prospecto da OPA ontem divulgado - e só possível porque a CMVM fez o seu trabalho de casa - o que José de Matos e Faria de Oliveira disseram no Parlamento não corresponde à verdade. O acordo com a Camargo estava feito antes de a OPA ser conhecida e, por isso mesmo, em 26 minutos, foi possível ver um comunicado da Caixa a anunciar que aceitava o preço oferecido, sem regatear. Ainda  por cima, tendo 10% das acções que viabilizavam ou inviabilizavam a OPA.

A clarificação da situação accionista da Cimpor era uma necessidade, e agora está feita. O facto de ser um accionista brasileiro é, até, positivo, porque corresponde à entrada de centenas de milhões de euros no País. Este processo é triste porque se percebe que esta OPA foi ganha na secretaria, antes de ser lançada, e com o apoio do Governo português, que decidiu em nome da Caixa. O banco público, esse, foi apenas uma marionete do ministro das Finanças e do 12º ministro do Governo.

publicado por concorrenciaperfeita às 21:14
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