Segunda-feira, 18 de Junho de 2012

O ajustamento que afecta os capitalistas

 A Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Camargo Corrêa (e pela Votorantin) sobre a Cimpor termina hoje, com um desfecho previsível. Não é uma história bonita, sobretudo pela forma e não necessariamente pelo resultado, e muito ainda estará por contar, mas revela que o ajustamento, um eufemismo para empobrecimento, está a atingir toda a gente, até os capitalistas.

Muitos dos mais relevantes grupos económicos portugueses fizeram-se à custa de muito crédito e pouco ou nenhum capital, alimentaram-se de relações e de proximidades, à banca e ao poder político, isoladamente ou em conjunto, que, quase, tudo permitiram. E isso reflectiu-se em estruturas accionistas sem capital para financiar o crescimento das empresas, pelo contrário, em grupos que se foram financiando à custa do crescimento das empresas de que eram accionistas. A começar pelo próprio Estado, e é por isso que algumas das privatizações que se fizeram e que se vão fazer respondem precisamente a este constrangimento. O Estado não perde dinheiro com essas empresas, mas está a impedir o seu crescimento, porque não tem capacidade para as capitalizar. Exemplos: a EDP ou a TAP.

O processo de ajustamento da economia portuguesa teria de ter, como já é visível, consequências ao nível das estruturas accionistas das principais empresas. Por razões diversas, a crise expôs a fragilidade financeira de muitos grupos, a desvalorização das empresas em bolsa revelou os maus negócios da banca, muitos vezes, é preciso dizê-lo, feitos sem garantias. Agora, chegou a hora de vender. Sem alternativas, a baixo preço, porque, em tempo de guerra, vão-se os anéis, ficam os dedos. Os capitalistas também empobrecem.

Há, ainda assim, uma virtude no meio desta 'limpeza'. As empresas, com novo capital, ficam mais fortes. Veja-se o caso da Zon, agora com uma nova 'patroa'. Isabel dos Santos foi construindo, passo a passo, uma posição dominante na operadora de cabo, e hoje, a Zon tem um futuro, que era difícil de ver antes.

Este ajustamento só agora começou, vai prolongar-se e, dentro de dois anos, teremos outra realidade accionista, com mais grupos estrangeiros e menos portugueses, com mais capital e menos dívida. Que seja bem aproveitado.

 

 

Concorrência sem autoridade

A Autoridade da Concorrência (AdC) é uma daquelas instituições críticas para o bom funcionamento da Democracia, e não apenas da economia, de mercado, acrescente-se. Se há desígnio que o País deve ter é mais concorrência por contra-ponto ao sistema de favores e de rendas protegidas, aos abusos de posição dominante. É necessário, portanto, mais autoridade, mas ao papel da Concorrência, da Autoridade da Concorrência, não basta juntar uma nova lei, é preciso também outra prática. A decisão de Manuel Sebastião de escolher dois órgãos de comunicação social - o Jornal de Negócios e o Diário de Notícias - para fazer publicidade sobre operações de concentração, sem lançar um concurso pelos jornais mais relevantes, é a negação da própria promoção da concorrência, de que a AdC deveria ser a primeira defensora. Com que objectivos?

publicado por concorrenciaperfeita às 22:26
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