Terça-feira, 13 de Julho de 2010

Os rumores

O ataque de que o Millennium bcp foi alvo na última semana, por sms e email e por mensagens nas redes sociais, é muito mais do que um ataque a um banco, é um ataque ao sistema financeiro como um todo e à própria economia portuguesa. E, desta vez, não foram especuladores, foram mesmo criminosos a coberto do anonimato. Os rumores sobre a fragilidade financeira do BCP, garante a administração, não passam disso mesmo, mas nos dias que correm, quando expressões como ‘stress tests’ aos bancos entraram nas conversas de café, todo o cuidado é pouco.

Porque é que, desta vez, o boato ganhou uma força inesperada: a verdade é que o BCP não tem vivido momentos fáceis desde a guerra entre Paulo Teixeira Pinto e Jardim Gonçalves. As autoridades e a justiça descobriram operações consideradas fraudulentas protagonizadas pelo fundador do banco e por parte da administração que estava consigo, como Filipe Pinhal. Depois, foi a sucessão e a chegada de Carlos Santos Ferreira e as acusações de intervenção política do Governo de Sócrates e o caso Vara. Em cima de uma crise económica e financeira sem precedentes, em Portugal e no mundo. Nem o mais sólido dos bancos resistiria a tanto. Já muito resistiu o BCP.

Há uma crítica que deve ser feita a Carlos Santos Ferreira. Depois do caso Vara, permaneceu em silêncio tempo demais, dando a ideia de falta de liderança que expôs o banco. Falou tarde, mas falou com uma voz grossa, mais do que lhe é habitual, numa longa entrevista ao Diário Económico, publicada na edição de nove de Abril. Sem rodeios, assumiu as fragilidades e dificuldades, falou das relações do ‘novo’ BCP com Angola, apontou objectivos e deu números de rentabilidade, solvabilidade e liquidez (ler destaque nas páginas 5 a 8 do jornal de hoje e entrevista em www.economico.pt).

Mas há uma crítica maior, e mais grave, que pode ser feita a Jardim Gonçalves e a Filipe Pinhal. Nas últimas semanas, de forma consecutiva, têm sido reveladas nos jornais peças da defesa destes ex-presidentes no ‘caso BCP’. Sucessivamente, e metodicamente, primeiro em entrevista e depois por via de documentos que constam do processo, Jardim e Pinhal põe em causa a forma como Santos Ferreira terá chegado a presidente do banco. Jardim e Pinhal têm todo o direito de se defenderem do que são acusados, mas já não têm o direito de atacar o banco que fundaram para a sua defesa, porque não foi Santos Ferreira a criar ‘offshores’ que o Ministério Público veio considerar parte integrante de um plano de falsificação e ocultação de contas.

Não imagino possível o envolvimento, directo ou indirecto, destes dois banqueiros no que se tem passado no BCP nas últimas semanas, mas a sua defesa deveria passar também por se distanciarem, de forma pública e clara, destes rumores. Sem cederem, por um segundo que fosse, na defesa da sua honra e bom nome.

publicado por concorrenciaperfeita às 18:46
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