Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

A nova vida do BCP, 27 anos depois

 

 

No dia da assembleia-geral de accionistas que aprovou o plano de recapitalização do Millennium bcp, passo essencial para ter um futuro, o presidente não-executivo, António Monteiro, anunciou que o dia 25 de Junho passará a ser o dia de aniversário do banco. 27 anos depois, o BCP tem motivos para festejar?

Há anos que o BCP e os seus accionistas procuram 'o dia seguinte', o dia que permite enterrar um passado de guerras e abrir um futuro condizente com a sua dimensão e importância no sistema financeiro e na economia nacional. Por responsabilidades próprias e por razões externas, esse dia ainda não chegou e, agora, Nuno Amado, o novo presidente executivo, tem as condições necessárias, definidas pelo próprio, para tirar o banco da situação em que está.

Em primeiro lugar, o Millennium bcp passou a ter um accionista de referência, a Sonangol, que manda e que disfarça a fragilidade, de capital, dos outros accionistas, portugueses. Depois, este accionista de referência escolheu a equipa que quis. Finalmente, a nova equipa negociou com o Estado um plano de recapitalização que permite levantar três mil milhões de euros e evitar a entrada do Estado no capital do banco.

Nuno Amado sabe que não vai beneficiar de estados de graça. Nem do accionista de referência, que o escolheu, nem dos outros, os outros accionistas que contam e que têm uma participação activa no conselho de administração do banco, nem dos 180 mil pequenos accionistas do BCP que, ano após ano, aumento de capital após aumento de capital, foram chamados a suportar a perda de valor do banco.

O BCP tem um problema que não tem, por exemplo, o BPI. O banco liderado por Fernando Ulrich, que também vai recorrer aos fundos do Estado, tem dois accionistas de referência e qualquer deles tem balanço para tomar conta da instituição. O Millennnium bcp é demasiado grande e, neste contexto, não há investidores interessados ao virar da esquina, nem mesmo de mercados onde há capital disponível, especialmente quando Portugal não oferece rentabilidades, oferece apenas riscos.

A ajuda do Estado é, seguramente bem-vinda, quanto mais não seja por falta de alternativas. E vai custar caro, isto é, 8,5% ao ano. Capitaliza a instituição e liberta liquidez. Mas é, paradoxalmente, um potencial risco. A gestão executiva do banco vai ter uma prioridade, a de devolver os três mil milhões de euros ao Estado. Dito de outra forma, Nuno Amado, também pressionado pelos seus accionistas, vai estar preocupado em tirar o Estado do conselho de administração do banco, onde tem dois lugares, e isso poderá levá-lo a tomar decisões que não serão as melhores a prazo. A contagem decrescente já começou.

Dito isto, depois da recapitalização, o banco estará seguramente mais forte, mais sólido e mais capaz de resistir a uma economia doméstica que ainda vai trazer dissabores. E Nuno Amado e a sua equipa poderão concentrar-se a fazer aquilo em que são, reconhecimdamente, competentes: gestão bancária.

 

PS: No dia em que Pedro Passos Coelho manteve o tabu sobre o que se vai seguir a uma execução orçamental em alto risco, a equipa de Sócrates, sem Sócrates, regressou à primeira fila da bancada socialista num debate quinzenal. E se é verdade que António José Seguro deu de bandeja a Pedro Silva Pereira a possibilidade questionar o Governo, o ex--ministro mostrou porque é que o líder do PS não o deve excluir. A intervenção de Pedro Silva Pereira foi o momento político da tarde, mesmo reescrevendo uma história que não começou há doze meses, com o acordo da 'troika', nem sequer com as medidas que foram além da 'troika'. Apagou por completo a própria moção de censura do PCP, aliás, lembrou aos comunistas a sua responsabilidade na queda do anterior Governo, e, por uma tarde, uniu os socialistas.

 

publicado por concorrenciaperfeita às 21:16
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