Quinta-feira, 5 de Julho de 2012

Adivinhem quem vai pagar?

 

A gestão de topo do Barclays em Londres demitiu-se nos últimos dias por causa do 'caso Libor' e da manipulação da taxa de juro interbancária que serve de referência à maioria dos contratos de crédito, de particulares e empresas, no Reino Unido. O caso seria sempre grave, um escândalo de proporções impensáveis, mas tem nos dias de hoje efeitos colaterais que são ainda difíceis de antecipar. Até em Portugal…

A profissão de banqueiro é, pelo menos desde 2008, uma das mais odiadas no mundo. Um sector em roda livre, uma supervisão sem capacidade de supervisionar, cumplicidades e até promiscuidades que levaram à crise do 'subprime' nos Estados Unidos e que, foram, é bom recordar, o rastilho que destapou um sistema e um modelo de negócios errado, artificial e os contribuintes acabaram por pagar. Nos Estados Unidos e, posteriormente, na Europa.

O caminho de 'limpeza' do sistema financeiro internacional foi-se fazendo, também com mais regulação. Os governos aproveitaram para se desresponsabilizarem do que não fizeram, para ganharem a opinião pública. Mas foi uma regulação que foi longe de mais, que vamos todos pagar, transversal a todos os países da União Europeia e da zona euro, e a Portugal, claro, apesar do bom comportamento da banca portuguesa, de que os casos BPN e BPP não são um espelho.

Ora, o caso Barclays põe em causa a confiança que estava a ser restaurada no sistema financeiro, não apenas no próprio banco inglês ou sequer no sistema financeiro britânico. Prejudica a banca em termos gerais, até a portuguesa. E este é o primeiro efeito perverso. Não é o único.

A Comissão Europeia, o BCE e até os governos europeus ganharam uma nova legitimidade para aumentar os mecanismos de controlo da banca e, convenhamos, casos como o do Barclays estão mesmo a pedi-las. O discurso inflamado de Durão Barroso, no Parlamento Europeu, contra "alguns bancos" que ainda não perceberam que tinham de mudar de vida, diz-nos isso mesmo. E uma regulação em excesso, ao contrário do que se possa pensar, não é, particularmente num momento em que há fortes restrições ao crédito, seja em quantidade, seja em preço, o melhor caminho, o que nos protegerá.

Finalmente, vem aí outro risco. As suspeitas sobre a formação da taxa Libor já levaram a Comissão Europeia a revelar que também será feita uma auditoria à nossa conhecida Euribor. Porque se houve manipulação na taxa de juro inglesa, as suspeitas sobre a taxa de juro interbancária na zona euro são óbvias e têm de ser ultrapassadas.

O problema é que não existe hoje um mercado interbancário da zona euro, por razões conhecidas, os bancos não estão a emprestar dinheiro entre si, e por isso, o juro Euribor que serve de referência aos contratos de habitação de todos os portugueses é artificial. Dito de outra forma, estará aberta a porta para a supervisão bancária e para a própria banca rever o modelo de negócio do crédito.

Adivinhem que vai pagar?

 

publicado por concorrenciaperfeita às 21:17
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